
Encabeçam ainda a lista Don DeLillo, Amos Oz, e o peruano Mario Vargas Llosa. Minha torcida é a favor do autor de A Guerra do Fim do Mundo.

Ser linda e ganhar muito dinheiro desfilando não foram o bastante para Carla Bruni. Desde 2002 ela desfila outros dotes, não menos encantador e sedutor como os já demonstrados antes.
Em 2007, Carla volta ao cenário musical com No Promises. Dessa vez juntando suas duas paixões, música e literatura, ela interpreta poemas de autores anglófonos, como William Butler Yeats, Emily Dickinson, Walter de la Mare ou Dorothy Parker.
Ainda não pude conferir o resultado. A produção cultural européia seja ela de cinema, música, literatura, demora uma eternidade pra chegar ao Brasil. As edições importadas são uma fortuna. É por isso que o mercado paralelo incha cada vez mais. Desmoralizando indústria e viciando o sistema. Assim, saem perdendo autores, fãs e a cultura.
Matéria do Jornal da Globo de ontem, destaca baixa expectativa de vida entre os roqueiros. Com base em uma pesquisa cientistas ingleses descobriram que a media de idade, entre os roqueiros de sucesso, não passa de 35 anos na Europa e 45 nos Estados Unidos, quando a media é quase o dobro da taxa geral da população.
A funesta estatística constata que a alta mortalidade das estrelas da música acontece nos primeiros 25 anos de fama. Os que escapam a essa fase passam a viver, segundo os pesquisadores, como a maioria dos mortais. O que explica fenômenos como Mick Jagger, Rod Stewart e Ozzy Osbourne.
Ninguém sabe, no entanto, explicar como Keith Richard, guitarrista dos Rolling Stones, ainda está vivo. Conhecido pelos excessos, ele declarou recentemente que cheirou, pasmem, as cinzas de seu pai com cocaína.
A vida passa e o mundo do Rock continua produzindo suas lendas.

Ontem, dia 31 de agosto, completou 140 anos da passagem do poeta Charles Baudelaire, o maior de língua francesa. Seu legado poético, eternizado em um único livro intitulado, As flores do Mal, é o testemunho de uma época de vertiginosas transformações sociais e políticas na Paris do século XIX.
Sobre ele T. S. Eliot escreveu, é o grande arquiteto da poesia moderna e de todos os tempos. Com Baudelaire a poesia torna-se o dispositivo de uma consciência crítica e nevrálgica das questões sociais, ao atingir o mais elevado grau de lucidez e plasticidade visual. Essa percepção da realidade dominará os temas de sua obra que, não se furtará a pôr em nível superior, pela graça dos elementos mais torpes, os temas menos elevados, pois: eis que (ela, a poesia) redime até a coisa mais abjeta,/ E adentra como rei, sem bulha ou serviçais,/ Quer os palácios, quer os tristes hospitais.
Tamanha impostura poética antecipará em meio século os motivos da poesia moderna. É o que entende pelo menos Ivan Junqueira quando afirma: Acima de qualquer outro, é Baudelaire que antecipa não apenas os temas, mas também todo o processo estético da poesia moderna.
Outro pólo de sua obra sem a qual não podemos entendê-lo gira em torno de sua percepção sobre o trabalho do poeta. Baudelaire está sempre aludindo seu oficio as formas de um labor constante.
Teria ele cerca de vinte anos quando começou a escrever os primeiros poemas de As flores do mal. Sem presa, seus poemas foram muitas vezes, depois de escritos, reescritos, provavelmente destruídos, fundidos, refundidos, entalhados, polidos e esmerilhado ao longo de 27 anos, durante os quais amadurece sua concepção estética, nos diz Ivan Junqueira.
Incompreendido em seu tempo, seus poemas foram proibidos de circularem, acusados injustamente de imoralidade. A 15 de junho de
Reproduzimos a seguir um trecho de um dos 6 poemas censurados pela 6º Vara Correcional intitulado Lesbos. Esse nome segundo os estudiosos da obra de Baudelaire seria o primeiro titulo da coletânea de poemas que mais tarde passou a ser chamada pelo poeta de As Flores do Mal. Acreditamos que esse gesto seja a melhor forma de homenagear o poeta, nunca deixando suas flores malditas serem esquecidas.
LESBOS
Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias,
Lesbos, ilha onde os beijos, meigos e ditodos,
Ardentes como sóis, frescos quais melancia,
Emolduram as noites e os dias gloriosos;
Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias;
Lesbos, ilha onde os beijos são como as cascatas,
Que desabam sem medo em pélagos profundos,
E correm, soluçando, em meio às colunatas,
Secretos e febris, copiosos e infecundos,
Lesbos, ilha onde os beijos são como cascatas!
Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam,
Onde jamais ficou sem eco um só queixume,
Tal como a Pafos as estrelas te veneram,
E Safo a Vênus, com razão, inspira ciúme!
Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam,
Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas,
Onde, diante do espelho, ó volúpia maldita!
Donzelas de ermo olhar, dos corpos amorosas,
Roçam de leve o tenro pomo que as excita;
Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas,
(...)
Nos últimos dias preocupei-me cada vez mais com a queda constante de meus pêlos, por isso procurei finalmente um médico, queria saber por que pouco a pouco eu estava desintegrando.
Eu não agüentava mais as pessoas me perguntando se eu fazia a sobrancelha, e se eu tinha errado ao fazê-las. O que dizer a elas? Nem eu sabia o que havia acontecido. Recorri ao médico então.
Ele tinha a palavra final ou a trilha para encontrar minha sobrancelha. Vocês não imaginam o quanto é constrangedor ficar careca não da cabeça, mas da sobrancelha! É mais ou menos como se sentir órfão de uma parte de si mesmo, só que essa parte lhe abandona aos pouquinhos, deixando sinais de sua ausência, e os que ficam já anunciam sua partida, aterrorizando minhas esperanças de cura.
Pra me deixar mais aliviado de todo constrangimento, e de todas as dúvidas, o médico me disse que eu iria morrer. Só não soube precisar o dia nem a hora desse fato. Mas disse que iria acontecer e quando isso ocorresse, garantiu-me que eu estaria de pelugem nova.
Bastando para tanto, que eu não mais me aborrecesse com coisas pequenas e não me desse tanto ao exercício de esforços mentais, que como combustíveis, queimam e consomem uma parte de mim. Que eu me distraísse, e não me entregasse a um eu profundo e descabido, que eu vivesse pra fora e não pra dentro. Que eu batesse e não mais contesse o choro, nem me silenciasse, nem temesse os desafios, ousasse mais, e praticasse haraquiri com a sorte.
Ouvindo-o pronunciar esses conselhos pensei estar diante de um poeta e não de um médico. Mais então foi ai que me dei conta de que um e outro têm a dom da cura. O médico da carne o poeta da alma. No instante estou precisando mais da medicina. E, de agora em diante, procurarei seguir os conselhos do senhor doutor, que parece conhecer tanto do corpo humano como da farmacologia espiritual.
Além de poeta, João Cabral foi embaixador. Serviu o Brasil em muitos países do mundo. Nenhum, no entanto, marcou tão fundo sua poesia como a Espanha.
Ao leitor acostumado com uma poesia de deslumbramento sentimental, e cunho confessional; de tradição romântica, grandiloquente, solene e cheia de pompas, nada mais estranho do que ler esse poeta.
Avesso ao confessionismo, a subjetividade, ao lirismo, que caracterizam as idéias correntes sobre poesia, João Cabral cunhou sua obra de vida palpável e dura, assim como a realidade que lhe arrebentava a retina. Sua poesia é concisa e contida no objeto. Construída sobre o signo do menos, reduz as imagens às suas formas concretas.
Sua obra mais conhecida é Morte e vida Severina (1955), ganhadora do festival de teatro de Nancy em 1966. Ainda teve uma adaptação para o cinema, com música de Chico Buarque, então um iniciante na carreira musical com 21 anos; e mais recentemente, ao completar 50 anos, ganhou uma versão em quadrinhos editada pela Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco.
Ao ler sua obra tenho a viva sensação de estar diante de um poeta inquieto e audacioso, que fez do seu ofício uma constante busca de novas possibilidades para expressão poética. A tão falada rudeza de seus versos, talvez venha de seu zelo e temperamento, que não aceitava demagogias e facilidades literárias tão ao gosto de muitos escritores atuais. Ao não se associar a essas facilidades, teve então em curso a velha e tão batida justificativa de que tal poeta é difícil e hermético, por isso marginal.
Os que já leram sua obra sabem do que estou falando, aos que ainda não leram, não percam a oportunidade de descobrirem a inventividade desse poeta. A baixo tenho um pequeno poema que escrevi em homenagem a ele.
Todo poeta brasileiro
Que quer cantar o nordeste
Tem que saber versejar
A dura flor do agreste
Que é a poesia de pedra
De Cabral, homem da peste.
Nesse chão que é de pedra
Duro, seco e de pó.
O homem teve a coragem
De desatar esse nó,
Criando como engenheiro
A arquitetura de um só.
Pra isso, então desdenhou
Do verso, demais sem vigor,
Frouxo, ralo, aguado,
Edulcorado de amargor.
Que os líricos tomaram emprestado
Do gondoleiro do amor.
Sua poesia não é brincadeira
Pra alegrar os descontentes.
Quem tiver as suas magoas
Vá chorar em outras frentes.
Que esses versos que apresento
É de homem cabra valente.
É trabalho labutado
Na fornalha de engenho.
Corta cana, fere, mata
Da pra ver todo essa gente.
Que em cima dessas pedras
Faz brotar nova semente.
A dura flor não arrefece
Nem se deixa transbordar
É precisa, na medida,
Onde o verbo faz falar
O lamento dessa gente
Que esqueceram de calar.
Aos poetas ditos líricos,
João Cabral aconselhou.
São demais os seus lamentos,
Faz-me mau a sua dor,
Vives sempre afogado
Entre sonhos de vapor.
Vê se acorda à realidade
Não se perca em desamor.
De seu sonho de ilusão
Venha ver o meu labor,
De poeta nordestino
Cabra macho de valor.
Meu propósito inicial com a criação desse blog é o de dar vida a um espaço onde eu possa partilhar interesses comuns com outras pessoas. Há anos venho escrevendo diários que se silenciam nas gavetas de meu armário, ou tenho segredado coisas às paredes do meu quarto, desejando sempre torna-las públicas, afim de que elas ganhem vida própria e dialoguem com seu criador, ao menos o necessário.
Escrevendo nesse espaço tenho a chance de comungar comigo mesmo e ao mesmo tempo trocar idéias e impressões sobre literatura, música, cinema e atualidades do mundo e da minha província.
Ainda aguardo a oportunidade de fazer novos amigos, que tenham ou não os mesmos interesses literários, musicais e cotidianos. O mundo seria realmente muito chato se os interesse e gostos fossem comuns a toda gente e não houvesse o contrário, o contraditório, o conciliador, o desdenhador, o sentimental, a emotiva e as diversas engrenagens que compõem essa complexa e eficiente máquina chamada raça humana.
Ao tempo em que pesa essas confissões e desejos eu imaginava se seria capaz de dar conta de escrever diariamente. Não serei o poeta de todos os dias, porque nem todos os dias é dia de poesia, mas também não me ausentarei por longo tempo.
Outro, dos tantos propósitos desse blog, é o de impor-me uma disciplina e uma rotina no trato com as palavras. O exercício de ler e de ruminar os pensamentos literários enche-nos de um desejo incontido de ouvir nossa própria voz, mesmo que essa seja, aparentemente, rouca e gaga. De modo que assim preencho essa lacuna que há anos me domina e me obrigo a fazer o que mais quero.
O nome escolhido para o domínio desse blog, vem de um hábito que por mais que eu tente me desvencilhar não me larga nunca. A palavra sestro significa justamente isso, vício, hábito, cacoete, mania. Escolhi esse nome para me lembrar de que tenho de criar outras habilidades e esquecer, ou me livrar, das velhas e incomodas manias de sempre.
Lancei meu barco no mar e pouco a pouco dou minhas primeiras remadas.