
DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

POR ONDA ANDA O ESTADO CIVIL?
A MAIOR DAS VAIDADES
Os Amantes - René MagrittePREFIRO ANTES O SOSSEGO DA "ROÇA"

A INDISCRIÇÃO DE UM ARTISTA
Há quem se horrorize com esse quadro, já posso até ouvir as suas vozes. Também, não poderia deixar de faltar, há os que façam dessa mesma cena um ato de exploração sensacionalista e maniqueísta, em todos os sentidos, imperdoável. Nunca foi segredo o gosto dos artistas em reproduzirem homens e mulheres assim como vieram ao mundo. A nudez sempre foi muito apreciada na arte, como em alguns lugares inomináveis. Desde os gregos até os séculos mais conservadores essa prática foi aceitável, difundida e reproduzida ad nausea, afinal, era o ideal de beleza e estética que se queria. Mas, um olhar mais profundo sobre essa arte pos-coubertiana, e ela se revelará comedida e muito discreta. Ao figurar as partes pudendas do homem e, da mulher em particular, sempre se teve a preocupação em representar o sexo de forma deturpada, escamoteada e por vezes tristemente fingida. Os homens frequentemente tinham uma discreta folha a cobri-lhe as vergonhas. Enquanto que a genitália feminina não passava da continuidade da pele da barriga, uma representação quase que assexuada. Desse modo, preservava-se a um só tempo, a busca pela perfeição estética, almejada por muitos, e o eterno desejo voyerista que sempre acompanhou o homem, sem ferir as convenções morais, religiosas e sociais, e sem desonrar a sociedade. Gustave Courbet (1819-1877) pintor anarquista francês, dono de um incontido desejo de provocar, dispensou, como se pode ver, qualquer acessório e pintou de forma visceral aquilo que até então era dissimulado nas academias de arte e preservado a custo na intimidade social. Claro está que ele foi acusado de pornográfico, imoral e outros tantos adjetivos desqualificativos que serviram para tornar esse arrogant bastard em mais um pária da sociedade. Sua postura iconoclasta, no entanto, serviu para dessacralizar a falsidade vigente na arte e na sociedade. Além de tudo a tela de Courbet serviu e serve ainda como combustível de um caloroso debate entre os limites entre arte erótica e pornografia. Esse é um debate para próximos post.
O APAGÃO DA CLARO

EMPALIDECER A SOMBRA

CORAÇÃO VAGABUNDO
CORAÇÃO VAGABUNDO
Terminada a minissérie "Maysa - Quando fala o coração", o que se comenta é a disparidade entre o que foi apresentado e a biografia da cantora Maysa - que lhe deu origem. (Quem leu o livro notou). Apesar de ter sido dirigida pelo filho dela, Jayme Monjardim, o que poderia dar ares de parcialidade, a minissérie foi feliz. A meu ver, o diretor afastou-se (sofrivelmente, óbvio) o quando pode da mãe e encontrou-se com a grande artista que foi Mysa.
Tive a grata satisfação de dizer a Lira Neto, jornalista e autor de "Maysa - Só numa multidão de amores" (Edit. Globo) que seu livro é excelente. A obra não traz a história de uma personagem apenas, mas é um passeio pelo universo da melhor música já feita no Brasil. Ninguém ficou de fora. Ainda que não fosse uma grande cantora, Maysa já merecia uma biografia, porque se trata de uma mulher íntegra, mas ao mesmo tempo transgressora, uma odiada, uma agredida, uma Janis Joplin, alguém que fez da vida o que bem quis -- o que talvez explique suas fossas e sua irremediável solidão.
A cantora, em início dos 60, por exemplo, já famosa, flertou com a recém-nascida Bossa Nova, que ganharia, pouco tempo depois, adeptos como Nara Leão, por exemplo. Algumas das interpretações de Maysa , sereníssimas, do tipo "pois há menos peixinhos a nadar no mar / do que os beijinhos que darei na sua boca (...) dentro dos meus braços / os abraços" (Chega de Saudade) ou então "o barquinho a deslizar, no macio azul do mar / céu tão azul, tudo isso é paz / tudo isso traz / uma calma de verão (...) a tardinha cai" (O Barquinho), contrastam -- e muito -- com o seu temperamento explosivo e amargo, de mundo caindo e garrafa voando.
Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (principalmente Matarazzo) foi cantora de sucesso, como já vimos, embora seja pouco lembrada como compositora. Revelou-se com o samba canção "Ouça", dela, em fins da década de 50. Suas letras -- analisadas com toda seriedade -- não são extraordinárias como, por exemplo, as de sua amiga Dolores Duran, a autora da maravilhosa "A Noite do Meu Bem", canção que, inclusive, fora gravada por Maysa. As letras dela não são geniais, mas também não são supérfluas. Trazem a sua angústia, sua tristeza, sua inquietação interior. Ela jogou em seus inúmeros diários a mesma substância que sua contemporânea Clarice Lispector lançou em seus livros. Trata-se de um universo particular -- porém admirável.
Maysa fora vítima de seus próprios excessos. Viveu quarenta anos. Sua coleguinha (e arquiinimiga) Elis Regina, outra que se foi tragicamente, viveu trinta e seis.Esse pessoal não dura muito. Maysa fora infinita enquando viveu. A melhor interpretação para o clássico "Ne me quitte pas" (Jacques Brell), um mundo dentro de uma pessoa que ousa cantá-la, ainda é o da brasileira Maysa. Ela foi parar, inclusive, no filme "A lei do desejo" (1987), de Pedro Almodóvar, com Antonio Banderas. (Alguém aí viu?). A mulher que cantava "só digo o que penso / só faço o que gosto" era alcóolatra, e faleceu em janeiro de 1977, num acidente estúpido, que deixou sua brasília azul em petição de miséria. A perícia analisando o cadáver, constatou que ela morrera sem uma gota de álcool no sangue. Para tapar a boca daqueles que um dia a difamaram, dos que queriam vê-la pelas costas, daqueles que invejaram sua mansão e seu prestígio, dos que a sepultaram em vida. Até na hora da morte Maysa se manteve digna.
Por essas e outras é que Maysa não fora qualquer uma.
A AMÉRICA VISTA DE FORA... E DE DENTRO?
Então fala-me lá de sua temporada na América. Que impressões, marcas e sentimentos esses dias lhe revelaram. Vista de fora a América e os americanos desperta-nos, como você mesma provavelmente já sentiu, sentimentos ambíguos irreconciliáveis. Se de um lado vibramos e exaltamos seu exemplo de superação tão bem ilustrado nos últimos dias com o novo presidente. De outro, condenamos a paixão dominante dessa nação em adquirir todos os bens desse mundo, a qualquer preço. Quando os homens, afirmava Tocqueville, não estão ligados entre si de maneira sólida e permanente, não é possível conseguir que um grande número deles aja em comum, a não ser que se persuada cada um daqueles cujo concurso é necessário de que seu interesse particular (grifo aqui de negrito essa frase porque penso que é esse o valor mais difundido na América e por extensão ao resto do mundo) o obriga a juntar voluntariamente seus esforços aos de todos os outros; na esperanças de um mundo verdadeiramente justo e fraterno. A desagregação dos valores, a lassidão nos negócios, o desrespeito às diferenças, as imposições e violência da América ao resto do mundo, ofusca muito de suas qualidades, notadamente muito esquecidas nos últimos anos. Não há nada, à primeira vista, menos importante aos americanos do que a consolidação de sua liderança no resto do mundo, arranhada pelas recentes trapalhadas de Bush pai. Portanto, minha cara amiga, não comungo, com a opinião corrente, de que a ascensão de um novo presidente, tão coberto de louros, mudará os rumos da política expansionista dessa nação. Já vimos algo muito parecido com isso por aqui. Conte-me você como sente as mudanças que prometem abalar as estruturas do mundo.
UNIVERSO PARTICULAR
REVÉILLON PICARETA? DEUS ME LIVRE!
TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA

BIBLIOTECÁRIO
“A ditadura da mediocridade” no campus de Caetité
“O sujeito ético só pode existir se preencher as seguintes condições: ser consciente de si e dos outros, ser dotado de vontade, ser responsável e ser livre.” M. Chauí
As últimas deliberações da plenária e do conselho de departamento da nova gestão do campus revelam uma luta inglória. Fato que se agrava porque deliberações são aprovadas sobre pontos não incluídos em pauta e orquestradas pelos que buscam degradar o conhecimento sob o menor enquadramento das horas-aula em dias da semana. Prática estranha às gestões anteriores do campus, em que se primava pela ampla divulgação das pautas de discussão no interesse único de promover a participação democrática e a liberdade no debate de idéias e ações. Cabe perguntar onde reside a democracia tão arrogantemente defendida em discursos pelos oportunistas de plantão? Por certo na infixidez da multicampia na Uneb, cujas moradas provisórias dos docentes fazem dos campi, e particularmente do campus de Caetité, lugares de passagem transitória. Uma ação em que o discurso que se afirma democrático se contradiz. Abandonado o debate intelectual, impera a vulgaridade dos discursos sem ação: “À mediocridade intelectual somou-se a baixaria moral”. (Kothe).
Para que aqui não se configure um discurso sem evidências, reporto-me à plenária departamental que suspendeu o Ato Administrativo 213/2006. Viu-se ali o açodamento ardiloso de ponto não incluído em pauta em que tanto a presidência da mesa quanto a plenária não dispunham dos materiais obrigatórios à instrução do ponto a ser apreciado. Um dos instrumentos para a construção do ensino superior no campus foi suspenso sob o cinismo majoritário do “sei, por ouvir dizer” e pela omissão vacilante: “Nunca as relações de compadrios foram tão escancaradas e perversas”. (Roberto Sá).
Por fim, gostaria de dizer a todos que confiaram na minha gestão - e que pelos seus atributos se identificaram com a minha posição no processo eleitoral - que equívocos fazem parte da vida e a eles estamos todos sujeitos. Apesar dos últimos acontecimentos revelarem uma postura diversa dos propósitos que sempre defendi, espero que continuem firmes na luta pela construção de um projeto sério para o campus.
“Na universidade, recebe mais salário quem foi mais salafrário. Recebe menos quem produz mais em termos acadêmicos”. F. Kothe
Paulo Henrique Duque Santos
Prof. do curso de História da UNEB/Caetité
Caetité, 23/10/2008
RAZÃO LITERÁRIA
A IMPRENSA VIGIADA
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE...
UMA ATITUDE ACÉFALA
Quadro de Francis BaconRAZÕES PELAS QUAIS GOSTO DAS FRANCESAS

O BIBLIOTECÁRIO FUNDISTA
A TRISTEZA

A VERDADEIRA FACE DA CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL

PAUL NEWMAN (1925-2008)
Cena do filme Rebeldia Indomável (1967)NOBEL
A FALÊNCIA DA MORALIDADE

"DE CAETITÉ PARA O MUNDO"
Waldick Soriano (na foto, em 1971) tinha ambições gigantes quando abandonou a roça, em 1958: "Para o mundo"Teo Júnior, Aracaju
O curioso, nesses casos, é que a ânsia de deixar o grotão natal é tão grande, que a pessoa não pára para pensar nas necessidades futuras, longe de casa. Como vai comer, como vai morar, onde vai trabalhar, se encontrará amigos, essas coisas. O indivíduo quer mesmo é largar tudo, arrumar as malas e entregar para Deus.
Raul Seixas, um dia, depois ter "passado fome por dois anos", devia "agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista". No caso de Waldick, creio que não chegasse a tanto. Ele acalentava o desejo de ser ator (assitira, na adolescência, a muitos filmes em Caetité, ficou com a idéia na cabeça) ou cantor. Já em São Paulo, exerceu funções menores, como engraxate, ajudante de pedreiro (hoje existe essa categoria profissional? O pedreiro não dá conta do recado sizinho?), garçom, caminhoneiro, engraxate e o caralho a quatro. Durante dois anos, esperou a sorte artística chegar. E ela finalmente chegou. Em 1960, uma boa alma trafegava pela noite, onde Waldick batia ponto, e o levou para uma gravadora, onde assinou um contrato.
Durante muitos anos, Waldick obteve vendagens expressivas, mas ainda discriminado pela mídia --e nesse íterim, aparecia em programas populares (Ivan Lessa chamaria de "vagabundos") de televisão e era personagem constante de matérias de grandes revistas e jornais, como uma célebre entrevista dada, em 1975, ao pessoal do Pasquim. Ele aparecia, nessas reportagens, mais pelo estilo pessoal do que propriamente pelo repertório. Era o povo aplaudindo e a imprensa caindo de pau.
Waldick não era um cantor desprezível. Tinha uma voz bem timbranda e impunha uma presença destacada no palco. Seu repertório era um só: homem sofrendo por mulher. Casos de amor mal-resolvidos foram a grande faculdade de Waldick, que, pelo que me consta, não chegou a estudar. A isso, convencionou-se chamar de dor-de-cotovelo. Eu confesso que não sou fã de seu estilo nem de sua música, mas eu não posso fechar os olhos para ele. Ignorá-lo seria burrice de minha parte. O cara existiu, caramba! Ficou famoso, ganhou dinheiro, batalhou por uma carreira, recentemente gravou um cd e um dvd, direção de Patrícia Pillar. Suas canções mais lembradas são Eu não sou cachorro não, de 1972 (Vendeu mais do que Roberto Carlos, heim, gente?, dá título a um livro de Paulo César de Araújo, sobre o fenômeno da música brega brasileira, nos tempos da ditadura militar), Tortura de Amor e a inigualável A Dama de Vermelho, regravada por Bruno e Marrone.
Waldick era conhecido por sua calma tibetana, era tranquilo, um homem incapaz de uma grosseria. Além disso, era muito engraçado. Algumas tiradas suas são quase filosóficas, como, por exemplo, quando afirmou que "a mulher, quanto mais pobre, mais gostosa". Ele sabia do que estava falando, porque de mulher, de boemia, de serestas, ele entendia. Era um especialista no sentido mais amplo do termo. Nos bons tempos, pôs uma plaqueta no paletó onde se lia: "De Caetité para o mundo". Eu tinha vontade de perguntar a ele aonde ele queria chegar. Waldick Soriano estava para a música brega -- hoje com milhares de adeptos país afora -- como João Gilberto está para a Bossa Nova, porém o caetiteense sempre negou o estilo do qual era o papa. Ele jamais se assumiu como "brega", preferindo se considerar um cantor "romântico". E acabou.
Waldick Soriano teve um vidão. Não pôde reclamar. Estava se tratando há algumas semanas de um câncer de próstata -- que ninguém ficou sabendo -- e faleceu hoje, dia 4, no Rio, onde será enterrado no Cemitério S. Francisco Xavier, popular "Caju".
Como diria Nelsinho Motta, boa noite, Waldick Soriano.
DORIVAL CAYMMI (1914-2008)

Eu adorava Caymmi.
Uma verta vez, Caetano Veloso deu o seguinte parecer sobre Dorival: "Ele é o maior dos maiores". Pronto. Esse é seu epitáfio.
PAPEL EM BRANCO

ALEXANDER SOLJENITSINE (1918-2008)
CITAÇÃO, 02
DEVAGAR NÃO SE VAI AO LONGE
A PROPÓSITO DAS ELEIÇÕES

















