O MEDO DO MAL
A DÚVIDA
AS MODERNAS TEORIAS RACIAIS
INDISPENSÁVEL
NOVOS TEMPOS?
ADMITAMOS... SOMOS UM PAÍS DESAVERGONHADO
Admitimos e promovemos muitas coisas nesse país, que no discurso diário estamos sempre prontos a condenar. Não aceitamos a corrupção política, essa vergonha, essa nódoa inalterável de nossa história. No entanto, não nos constrange, nem um pouco, fraudar a declaração do imposto de renda; receber um benefício que não nos cabe; vender ou comprar um trabalho acadêmico; roubar livros das escolas públicas - pratica frequente de nossos mestres; comprar CDs e DVDs no mercado paralelo. Dispor-se a maquiar uma licitação ou molhar a mão de uma autoridade pelo perdão da falta, não cora ninguém. Estimulados por uma desavergonhada força que anima nossa sociedade, essas e outras formas de ilegalidades são toleráveis, admissíveis e apropriadamente aceitas. Na verdade chego a pensar que elas dignam muitos homens. Fica cada vez mais difícil distinguir o corrupto e o corruptor no vale-tudo desmedido da vida social. Qualquer pessoa, desde a mais tenra idade, se sente desobrigada a fazer, diante de tanta vergonha, o que é certo, justo e realmente correto. Ninguém suspeita, porém, que essas e, outras ações injuriosas, minam qualquer sonho de progresso, e que, ao contrário do que se imagina, não será a indiferença às pequenas vilanias cometidas pela população diariamente, a resposta aos maus atos dos nossos representantes.
CITAÇÃO 3
"Não há temas privilegiados ou condenados para a literatura. Tudo depende do tratamento artístico."
"O palavrão, portanto, tem de ser encarado no palco de maneira diversa do que o é na vida real: se serve a fins artísticos precisos, revelando algum aspecto da personalidade humana, embora escuso, ou lançando luz sobre as condições econômicas e sociais de certas classes, justifica-se humanamente e esteticamente."
INTERDIÇÕES
Os Sonhadores
Quais razões uma instituição, com fins culturais, pode alegar para censurar uma obra artística? A Casa Anísio Teixeira, situada na cidade de Caetité, terra natal do educador, tem uma, que coloca em dúvida a nossa existência no século XXI, e nos faz pensar estarmos noutra época. A Casa vê com reservas algumas obras cinematográficas e lhes impõe severas restrições, baseadas num código moral, rígido, de uma única lei. A pretexto da preservação da moralidade e dos bons costumes, toda e qualquer obra, que exponham cenas de sexo, por mais branda que sejam, por mais indispensáveis à recriação da realidade, sofre uma desmedida censura.
Em que pese o caráter sexual de algumas obras, a saber, Fale com Ela, Meninos não Choram, Má Educação, Navalha na Carne, Os Sonhadores, Anjos Exterminadores, A Última Tentação de Cristo, entre outras, inexistem, nessas, qualquer impedimento moral que desobrigue instituições culturais, com interesses em formar um público de cinema, sem preconceitos, e cidadãos conscientes, que justifique a censura que ora a Casa emprega para selecionar os seus filmes.
O sexo nesses filmes não me parece razão para censurar as obras, muito mais, que eles tratam, com muita seriedade, de outros temas, um tanto quanto delicados, mais indispensáveis. Se eventualmente essas obras têm alguma cena de sexo, são porque essas histórias mostram uma realidade sem máscaras e sem concessões ao fingimento, que reina no mundo de hoje. Se empregam um vocabulário chulo, rejeitados pela decência e pela sensibilidade, é apenas em respeito à severidade de propósitos que a encerram.
O impedimento apenas reduz essa seriedade de propósito, a um imperativo sexual, que insisto, eles não têm. Má Educação, de Pedro Almodóvar, por exemplo, retrata uma realidade que fingimos não enxergar, a da pedofilia, algo realmente condenável, mas não se ouve um comentário repudiando a imoralidade dos atos religiosos, recrimina-se antes a obra, que a denuncia. Meninos não Choram, fala de uma sociedade intolerante a orientação sexual das pessoas que não andam encabrestados como as demais, mas apenas o sexo mostrado no filme, que não corresponde às formas desejadas pela “normalidade” social, é lembrado. Fale com Ela, uma belíssima ode ao amor, coisa rara nos dias atuais, deixa de ser uma lição de tolerância e amor ao próximo, por quê? Sexo, sexo, sexo, sexo, algo que ninguém faz, aparece em alguma cena. Navalha na Carne, obra do fabuloso Plínio Marcos, retrata o submundo da prostituição e a violência nas relações humanas, nada disso parece importar. Será possível que histórias assim ainda se concebam fora de nossos cinemas?
Enquanto interditam essas obras a Casa é parcimoniosa com outras, muito menos incômodas, e seguramente, menos instrutivas. Xuxa e os duendes, As patricinhas de Beverly Hills, High School music cujo objetivo maior, passa ao largo da instrução social, e reinam impune. A exploração comercialesca desses produtos juvenis, travestidos de cinema, recebe total amparo da Fundação em detrimento das legitimas obras de arte, que com certeza têm muito mais a dizer sobre o homem e a sociedade.
Comprometidos em mostrarem a vida como ela é e não como são vendidas nas propagandas, as obras de significativos valores são estupidamente amordaçadas, num atentado as consciências. O alegado conteúdo sexual desses filmes não passa de uma afronta a nossa inteligência. As histórias mostram realidades duras e cruéis, porque retratam realidades duras e cruéis, porque a realidade, em si mesma, é frequentemente dura e cruel.
O cinema, principalmente o dos melhores realizadores, como é o caso desses filmes, distingue-se da pornografia e não são imorais, muito menos ofende a dignidade humana reduzindo-o a um produto perecível, ao contrário, eles mostram, e talvez aí esteja o legítimo motivo da censura, uma realidade que fingimos não existir.
A propósito das razões da censura contra as obras artísticas a maior referência da crítica teatral no Brasil, Décio de Almeida Prado, escreveu: “A censura baseia-se provavelmente em impulsos repressivos mais fundos, menos conscientes... O primeiro, comum a todos nós, é o desejo muito compreensível de negar o mal (chamemo-lo assim, para simplificar o problema). Sabemos que ele existe. Cruzamos diariamente, nas ruas da cidade, com a prostituição, o proxenetismo, o homossexualismo. Mas fazemos tudo para não ver, para ignorar a realidade desagradável... Não se podendo atingir a própria realidade, atinge-se a sua representação... A severidade, no campo limitado sobre o qual podemos influir, compensa-nos das nossas imensas frustrações em relação ao campo rebelde e infinitamente mais vasto da realidade...”
Sobre qualquer pretexto o cerceamento à expressão artística é um retrocesso aos avanços de nossa sociedade. Esquecidos de que o cinema é um importante bem de divulgação cultural e indispensável ao reconhecimento de uma realidade que urge ser modificada, a Casa infringe, em nome de um pretenso acolhimento da sociedade tradicional, as suas funções primárias, que é a de distribuir e divulgar objetos culturais de qualidade. Para fazer isso faria um grande favor abolindo a censura que deixa de fora de seu catálogo de filmes obras essenciais do cinema.
"Às morais de séculos anteriores temos que antepor a coragem de enfrentar a verdade, seja ela qual for".
TODA DEFERÊNCIA
ARTE E BELEZA

ASSOMBRO
ERA UMA VEZ NO OESTE
A chegada de Jill personagem de Claudia Cardinale. Música de Ennio Moricone
Em 1964 como o filme Por um punhado de dólares, o cineasta italiano Sergio Leone (1929-1989) deu forma ao que se convencionou chamar mais tarde de Western Spaghetti. Esses filmes tinham entre outras características a crueza dos personagens principais, que diferentes dos personagens hollywoodianos, andavam sempre mal vestidos, sujos e com intenções inescrupulosas. Os temas giravam em torno da vingança. O filme estrelado por Clint Eastwood teve duas continuações e ficou conhecido como a trilogia dos dólares. Em 1968 Leone realizou, Era Uma Vez no Oeste, uma verdadeira obra-prima. O filme é assustadoramente arrebatador. E tem muitas razões de ser. Primeiro pela peculiar e indistinta narrativa, cheia de silêncios, esperas e ruídos ambientes que se integram ao clima de desolamento e tensão criado nos momentos exatos em que se exigem esses climas. Segundo pela impecável atuação dos atores Henry Fonda, Claudia Cardinale, Charles Bronson e Jason Robards que encarnam com veracidade incomum os seus papeis. E por fim uma trilha sonora, do mestre Ennio Moricone, que dá consistência e caracteriza os personagens. O tema principal da mocinha feita por Claudia Cardinale é especialmente memorável pelo lirismo. Obra impar do gênero, Era uma vez no Oeste, é um filme daqueles tempos em que o cinema era uma expressão artística antes de qualquer coisa.
"QUER OUVIR A MINHA IDEIA PARA UM ASSASSINATO PERFEITO?"
GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE
Maggie (Elizabeth Taylor, 1958)A DESFAÇATEZ DESENCARNADA
O ESSENCIAL CONTINUA INVISÍVEL AOS OLHOS
Guardo um talento incomum para gostar de coisas, que para maioria são inúteis. É que nos dias que corre, muitas coisas são tidas como inúteis, e com tudo, ainda as desejo. A maioria delas tem haver com arte. A maioria delas interessa-me. Não por serem, como pensa a maioria (inútil), mas pelo contrario, por renovarem minha fé no homem, um exercício pra lá de exaustivo, que por mais que se esforce é necessário um exercício constante; por exigirem sempre mais, por duvidar das certezas e estilhaçar as verdades, por mais inconveniente que sejam; por incomodarem os parvos e por fim destoar da maioria.
VIDA BREVE
No nosso país, dificilmente tem-se alguém para admirar. Essa espécie de gente rareia a cada dia. Por isso, a noticia da morte da Drª Zilda Arns, no terrível terremoto que sacudiu o Haiti nessa terça-feira 12, torna o fato ainda mais penoso.
ÉRIC ROHMER

CONTRA A RACIALIZAÇÃO

O INCANSÁVEL PENSADOR
AS METAMORFOSES DO AMOR GREGO
Os deuses gregos sempre tiveram muita intimidade com os corpos. Causaria espanto aos crentes e adoradores de outras seitas, a forma desabusada com quanto os deuses e deusas se amavam. Para eles não havia nenhum tipo de castidade inviolável, amava-se fácil. Devemos a essa civilização muitas das grandes realizações do intelecto humano, o teatro, a música, a filosofia, as leis. Nenhum desses feitos, no entanto, foi capaz de ombrear ao ensinamento divido da enamoração dos corpos. Criem quantas amarras puder, nenhuma, subjugará a força dos corpos. Os santos cristãos estão todos sempre pudicamente cobertos de mantos, túnicas, e farta vestimenta aveludada. Nenhuma intrusão penetra a casta intimidade das santinhas. Seguros de preservarem assim a dignidade divina, eles seguem pesando as consciências contra a adoração dos corpos. Com efeito, todo esse cuidado não passa de uma mentira. A beleza dos corpos sempre foram maiores que qualquer repressão. A pudicidade cristã mal disfarçou sempre a tentação dos olhos. Não fosse assim, como explicaríamos tantos seios desnudos nas representações da virgem. Ocultado num gesto maternal o cristão ama clandestinamente.
POLÍTICA
AO DESPERTAR ESSA MANHÃ
Dois acordes de guitarra e dois de bateria. São quanto me basta para despertar do estado de bovinidade.
FELIZ 2010
CACILDA BECKER, 40 ANOS DEPOIS
Obituário de Cacilda Becker no JB, pela crítica Barbara Helidora, que alguns chamam de Bárbara "Não-Me-Adora"DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

POR ONDA ANDA O ESTADO CIVIL?
A MAIOR DAS VAIDADES
Os Amantes - René MagrittePREFIRO ANTES O SOSSEGO DA "ROÇA"

A INDISCRIÇÃO DE UM ARTISTA
Há quem se horrorize com esse quadro, já posso até ouvir as suas vozes. Também, não poderia deixar de faltar, há os que façam dessa mesma cena um ato de exploração sensacionalista e maniqueísta, em todos os sentidos, imperdoável. Nunca foi segredo o gosto dos artistas em reproduzirem homens e mulheres assim como vieram ao mundo. A nudez sempre foi muito apreciada na arte, como em alguns lugares inomináveis. Desde os gregos até os séculos mais conservadores essa prática foi aceitável, difundida e reproduzida ad nausea, afinal, era o ideal de beleza e estética que se queria. Mas, um olhar mais profundo sobre essa arte pos-coubertiana, e ela se revelará comedida e muito discreta. Ao figurar as partes pudendas do homem e, da mulher em particular, sempre se teve a preocupação em representar o sexo de forma deturpada, escamoteada e por vezes tristemente fingida. Os homens frequentemente tinham uma discreta folha a cobri-lhe as vergonhas. Enquanto que a genitália feminina não passava da continuidade da pele da barriga, uma representação quase que assexuada. Desse modo, preservava-se a um só tempo, a busca pela perfeição estética, almejada por muitos, e o eterno desejo voyerista que sempre acompanhou o homem, sem ferir as convenções morais, religiosas e sociais, e sem desonrar a sociedade. Gustave Courbet (1819-1877) pintor anarquista francês, dono de um incontido desejo de provocar, dispensou, como se pode ver, qualquer acessório e pintou de forma visceral aquilo que até então era dissimulado nas academias de arte e preservado a custo na intimidade social. Claro está que ele foi acusado de pornográfico, imoral e outros tantos adjetivos desqualificativos que serviram para tornar esse arrogant bastard em mais um pária da sociedade. Sua postura iconoclasta, no entanto, serviu para dessacralizar a falsidade vigente na arte e na sociedade. Além de tudo a tela de Courbet serviu e serve ainda como combustível de um caloroso debate entre os limites entre arte erótica e pornografia. Esse é um debate para próximos post.
O APAGÃO DA CLARO

EMPALIDECER A SOMBRA

CORAÇÃO VAGABUNDO
CORAÇÃO VAGABUNDO
Terminada a minissérie "Maysa - Quando fala o coração", o que se comenta é a disparidade entre o que foi apresentado e a biografia da cantora Maysa - que lhe deu origem. (Quem leu o livro notou). Apesar de ter sido dirigida pelo filho dela, Jayme Monjardim, o que poderia dar ares de parcialidade, a minissérie foi feliz. A meu ver, o diretor afastou-se (sofrivelmente, óbvio) o quando pode da mãe e encontrou-se com a grande artista que foi Mysa.
Tive a grata satisfação de dizer a Lira Neto, jornalista e autor de "Maysa - Só numa multidão de amores" (Edit. Globo) que seu livro é excelente. A obra não traz a história de uma personagem apenas, mas é um passeio pelo universo da melhor música já feita no Brasil. Ninguém ficou de fora. Ainda que não fosse uma grande cantora, Maysa já merecia uma biografia, porque se trata de uma mulher íntegra, mas ao mesmo tempo transgressora, uma odiada, uma agredida, uma Janis Joplin, alguém que fez da vida o que bem quis -- o que talvez explique suas fossas e sua irremediável solidão.
A cantora, em início dos 60, por exemplo, já famosa, flertou com a recém-nascida Bossa Nova, que ganharia, pouco tempo depois, adeptos como Nara Leão, por exemplo. Algumas das interpretações de Maysa , sereníssimas, do tipo "pois há menos peixinhos a nadar no mar / do que os beijinhos que darei na sua boca (...) dentro dos meus braços / os abraços" (Chega de Saudade) ou então "o barquinho a deslizar, no macio azul do mar / céu tão azul, tudo isso é paz / tudo isso traz / uma calma de verão (...) a tardinha cai" (O Barquinho), contrastam -- e muito -- com o seu temperamento explosivo e amargo, de mundo caindo e garrafa voando.
Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (principalmente Matarazzo) foi cantora de sucesso, como já vimos, embora seja pouco lembrada como compositora. Revelou-se com o samba canção "Ouça", dela, em fins da década de 50. Suas letras -- analisadas com toda seriedade -- não são extraordinárias como, por exemplo, as de sua amiga Dolores Duran, a autora da maravilhosa "A Noite do Meu Bem", canção que, inclusive, fora gravada por Maysa. As letras dela não são geniais, mas também não são supérfluas. Trazem a sua angústia, sua tristeza, sua inquietação interior. Ela jogou em seus inúmeros diários a mesma substância que sua contemporânea Clarice Lispector lançou em seus livros. Trata-se de um universo particular -- porém admirável.
Maysa fora vítima de seus próprios excessos. Viveu quarenta anos. Sua coleguinha (e arquiinimiga) Elis Regina, outra que se foi tragicamente, viveu trinta e seis.Esse pessoal não dura muito. Maysa fora infinita enquando viveu. A melhor interpretação para o clássico "Ne me quitte pas" (Jacques Brell), um mundo dentro de uma pessoa que ousa cantá-la, ainda é o da brasileira Maysa. Ela foi parar, inclusive, no filme "A lei do desejo" (1987), de Pedro Almodóvar, com Antonio Banderas. (Alguém aí viu?). A mulher que cantava "só digo o que penso / só faço o que gosto" era alcóolatra, e faleceu em janeiro de 1977, num acidente estúpido, que deixou sua brasília azul em petição de miséria. A perícia analisando o cadáver, constatou que ela morrera sem uma gota de álcool no sangue. Para tapar a boca daqueles que um dia a difamaram, dos que queriam vê-la pelas costas, daqueles que invejaram sua mansão e seu prestígio, dos que a sepultaram em vida. Até na hora da morte Maysa se manteve digna.
Por essas e outras é que Maysa não fora qualquer uma.
A AMÉRICA VISTA DE FORA... E DE DENTRO?
Então fala-me lá de sua temporada na América. Que impressões, marcas e sentimentos esses dias lhe revelaram. Vista de fora a América e os americanos desperta-nos, como você mesma provavelmente já sentiu, sentimentos ambíguos irreconciliáveis. Se de um lado vibramos e exaltamos seu exemplo de superação tão bem ilustrado nos últimos dias com o novo presidente. De outro, condenamos a paixão dominante dessa nação em adquirir todos os bens desse mundo, a qualquer preço. Quando os homens, afirmava Tocqueville, não estão ligados entre si de maneira sólida e permanente, não é possível conseguir que um grande número deles aja em comum, a não ser que se persuada cada um daqueles cujo concurso é necessário de que seu interesse particular (grifo aqui de negrito essa frase porque penso que é esse o valor mais difundido na América e por extensão ao resto do mundo) o obriga a juntar voluntariamente seus esforços aos de todos os outros; na esperanças de um mundo verdadeiramente justo e fraterno. A desagregação dos valores, a lassidão nos negócios, o desrespeito às diferenças, as imposições e violência da América ao resto do mundo, ofusca muito de suas qualidades, notadamente muito esquecidas nos últimos anos. Não há nada, à primeira vista, menos importante aos americanos do que a consolidação de sua liderança no resto do mundo, arranhada pelas recentes trapalhadas de Bush pai. Portanto, minha cara amiga, não comungo, com a opinião corrente, de que a ascensão de um novo presidente, tão coberto de louros, mudará os rumos da política expansionista dessa nação. Já vimos algo muito parecido com isso por aqui. Conte-me você como sente as mudanças que prometem abalar as estruturas do mundo.



















