Os nossos grandes lideres e seus amantes

Foto: Cornell Capa, California. 1960.
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Um giro à volta e tem-se a impressão que, o mundo converteu-se ao fanatismo. As pessoas andam endeusando tudo: partido, seitas, agremiações, políticos, etc. Com predileção atualmente pelo deus partido. A ninguém parece suposto alguma dúvida, sobre seus pontos de vista. Enfronham-se nas bandeiras e defendem as suas cores, e não pressentem que elas exalam odores desagradáveis. Quem atentar para o que dizem as vozes que ecoam dos gabinetes e mansardas, não deixará de perceber que de lá falam todos aqueles que se sentem na posse da milagrosa bússola que aponta para o norte das decisões capazes de nos resgatará a felicidade geral. A dar ouvido a estas vozes, tenho a impressão que, será outro, o destino dessa grande nau em que todos nos metemos. Não falo isso aos amigos, porque chegamos ao estágio em que eles pressupõem que onde há crítica há desamor.

O monstro e o homem civilizado


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Há tempos ouvi de alguns amigos, que sofriam com medo da escalada da violência na minha cidade, o pedido de que as autoridades públicas locais, interviessem no caos instaurado e providenciassem soluções imediatas. Para minha surpresa os amigos não pediam mais escolas, mais saúde, mais justiça social para todos. Não lhes ocorriam que a fonte da violência pudesse estar na ausência desses bens às comunidades mais fragilizadas, mas numa suposta degeneração moral de alguns, somente corrigida com o amparo de velhos métodos domésticos. Eles clamavam pela imediata vinda da polícia do cerrado. Queriam o que de mais truculento, torpe e desumano, pode haver em matéria de polícia e se negavam a acreditar em outras alternativas além dessa. A solução sugerida, como visto, era a instauração de uma força policial que todos reconhecem como desrespeitosa dos direitos humanos, mas acredita, mesmo assim, ser esta postura um dado menor, quando está em causa a "restauração da paz e da ordem". Paz à custa de cassetetes e coturnos não é paz. Um Estado civilizado responde as demandas com racionalidade e espirito moderno. Vejam o caso que noticiam hoje os jornais. Vem do norte, a notícia de que uma juíza norueguesa decretou justa, a causa do extremista Anders Behring Breivik que, acusa o Estado Norueguês de lhe implicar um regime prisional desumano. Breivik está em completo isolamento. Desde que sua mãe morreu há três anos ele não tem mais contato com ninguém. Todos vão se lembrar de Breivik, ele está preso por ter assassinado cruelmente 77 pessoas na Noruega em 2011. Fez isso movido pelo ódio de imigrantes e contra o multiculturalismo. De pronto uma onda de intolerância passou a criticar a ação da juíza. Nos jornais os comentários reprovam, peremptoriamente, a ação que deu causa ao pedido do assassino. Invocando uma pretensa justiça que pensávamos superada desde Hamurabe, seguem-se discursos não condizente com quem acredita realmente na paz e na justiça. “Haviam de lhe fazer o mesmo que ele fez aos 77 seres humanos.” Diz um dos que comentam a matéria dos jornais. “...esses facínoras do oriente e do ocidente estão muito acima do nosso fraco poder de exaltar ou de rebaixar... Mata 72 pessoas e ainda é indemnizado! Kkkkkk.”, outro não deixa por menos e emenda. Causa-me espanto que, em pleno século XXI, alguns ainda não entendam que o horror dessa besta humana, não pode ser respondido por uma nação civilizada, com outra força, senão a lei dos direitos humanos que ele ignora e combate. Quando a vida se bestializa, ao ponto de andarmos clamando nas ruas o sangue dos monstros, passamos e nem percebemos aos estados primitivos que nega-nos o direito de sermos chamados Humanos. Ao nos barbarizarmos como aqueles que causa-nos espanto pelo seu comportamento deplorável, descemos como eles ao rés do chão e não podemos pedir justiça, porque esta não entende esse chamado para fazer derramar o sangue de quem quer que seja. Independente do fato monstruoso que ele cometeu, e por mais repugnante e inquietante que possa ter sido o seu comportamento, nada justifica que um Estado civilizado, infrinja seus valores e sua moral para se ombrear com os que querem que o ódio vença todas as causas. Não é uma questão de somenos importância. É por aqui que começa a distância entre um monstro e um homem civilizado.

Elefante manso

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Não temos uma revista dedicada à literatura. As editoras que um dia se preocuparam com a qualidade literária pagaram o preço dessa ousadia e hoje se encontram de portas cerradas.  Nos jornais, os suplementos literários, que já foram palco para grandes discussões, deixaram de ser importantes e desapareceram das páginas dos diários. Com eles sumiram também a figura do crítico, do ensaísta, do polemista e do intelectual, naqueles termos que postulava Ortega y Gasset em: A Rebelião das Massas, o indivíduo que: aclarava um pouco as coisas, enquanto os outros, pelo contrário, costumavam consistir em confundi-la mais do que já estavam.

Todas essas notícias deveriam nos sugerir que não andamos a ler nada e não estamos nem um pouco interessados com o mundo à nossa volta. Mas estranhamente, ocorre precisamente o contrário. Diz-nos um jornal português que, nunca andamos tanto com um livro à mão como agora. Nunca estivemos tão à frente do mundo no quesito consumo de livros como nesse instante. Ninguém nos faz sombra, estamos na crista da onda. Podem se rir, achar que é tontaria, desequilíbrio, mas o fato é este mesmo, nunca tivemos tantos livros em nossas casas como hoje. O mundo nos inveja.

Mundo estranho. Justamente quando passamos a ser os maiores consumidores de livros do mundo amargamos estatísticas que não condizem com um público ilustrado pelas letras. Ou vão me dizer que acham normal não termos revistas, jornais e intelectuais pensando e dialogando com esse mar de gente que anda a ler incessantemente? Talvez o fato de estarmos todos enfronhados pela cultura do entretenimento e da massificação, que rebaixou tudo ao nível das mentalidades debiloides, expliquem melhor esse fenômeno quimérico que é o Brasil de hoje.


Não somos leitores com letra maiúscula. Não estamos ansiosos em ler para nos encorajar a desempenhar o papel clássico do elefante na loja de porcelana. Somos na verdade consumidores de bens culturais que são vendidos pelos discursos persuasivos e aliciantes da publicidade. Basta-nos que o livro nos consinta o status simbólico de posse de algum bem, e assim ele terá cumprido o seu valioso papel de fazer-nos sentir menos estúpidos, diante de um mundo que só reconhece o valor material e que foi convertido ao atrativo comercial sem nenhuma reserva moral. 

Rogério Duarte rumo aos planetas celestiais.

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Deixou-nos ontem, três dias após completar 77 anos de vida, Rogério -Raghunatha Dasa- Duarte, Rogerio Duarte. Ele foi um ícone de nossa cultura. Sob sua batuta, o movimento Tropicalista ganhou forma e cores. Foi ainda importante na criação estética dos cartazes do cineasta Glauber Rocha.

Para mim, porém, ele significou um verdadeiro achado. Quando li a sua belíssima tradução do venerável livro Bhagavad Gita: Canção do Divino Mestre, que ele lançou em 1998, fui tomado por uma experiência que alterou a minha vida para sempre.

Sua intensa luz de amor à vida e sua sabedoria das coisas imperecíveis, ensinou-me que esse estágio da vida tem: percalços e acidentes, assim como alegrias e prazeres, não estando nenhum desses sentimentos acima nem abaixo, mas fazendo parte de um todo, que precisamos aceitar e não desistir das lutas ou nos afeiçoarmos demais aos prazeres enganosos.

"Lute apenas por lutar
sem pensar em perda ou ganho,
em alegria ou tristeza,
em vitória ou em derrota,
pois, agindo desse modo,
você, nunca pecará."

Estar atento aos enganos possíveis


Foto: Rocco Morabito, The kiss of life. 
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Por retratar um instante e não a sequência de ações que a envolvem, a fotografia, por vezes, se presta a dubiedades ou sugestões falsas. A primeira vista, a foto que ilustra o nosso texto de hoje, pode sugerir uma ideia equivocada. O que parece ser um beijo amoroso, entre dois homens que se entregam a luxuria dependurados no alto de um poste, é na verdade uma tentativa de ressuscitação. “The Kiss of Life" foi a imagem vencedora do Prêmio Pulitzer de 1988. Ela foi tirada pelo fotógrafo americano Rocco Morabito (1920-2009).

Em uma manhã de 1987 quando Morabito estava a caminho de uma pauta, encontrou a cena inusitada em que o operário J.D. Thompson tenta salvar a vida de seu companheiro de trabalho, Randall G. Champion após este ter recebido uma descarga de alta tensão. A imagem mostra Thompson fazendo uma respiração boca a boca, enquanto aguarda o resgate. Essa imagem exemplifica bem o quanto um registo fotográfico pode induzir a um erro de interpretação quando está fora de contexto.

Em termos artísticos, a fotografia tem licença para enganar o olhar através da sugestão de realidades falseadas. Esse é um imperativo das expressões artísticas. Porém, quando não está a serviço da arte, o malogro pode ser um perigoso instrumento de manipulação de desavisados, sobre os usos possíveis de uma imagem. É preciso então, estar atento, para não ser enganado por uma ideia falsa, sugerida por uma imagem fora de contexto ou vista de forma apressada e julgada de modo esdrúxula, apenas por parecer que assim é, porque lhe convém. 


Feira de Caetité

Foto: Rogério Soares. Feira de Caetité, 2016. 
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Tomei coragem e desci hoje ao mercado para tirar algumas fotografias. Há tempos vinha planejando esse ensaio. Mas um receio bobo de sair à rua, bisbilhotando a vida alheia, e mais, o temor de ser enxovalhado por alguém que, não gostasse da ideia de ser alvo de uma lente indesejada, foi adiando o meu propósito para bem mais tempo do que o previsto. Porém, hoje não me contive. Corri ao mercado e tirei algumas fotos. Não me demorei por lá. Dei apenas uma volta em torno do mercado e logo retornei para casa. A experiência, como vocês podem ver no post, não correu lá muito bem. O resultado não foi dos melhores. As fotos não resultaram bem, e por mais que me esforçasse elas não passaram de clichês. Estão bem longe de atingirem aqueles pequenos instantâneos da vida, que tornam o registro fotográfico um momento de revelação de outros significados para as coisas. Creio que isso se deve a três fatores:

1.     Tomei demasiado cuidado em solicitar as pessoas que me autorizassem a fotografá-las. Isso teve como consequência, indesejada, a perda da espontaneidade da foto. Ninguém diante de uma câmera age naturalmente. Nas raras situações em que pude visualizar algo de interessante, pruridos morais me frearam os anseios e lá fui eu pedir licença para fotografar.

2.         Não domino ainda os dois princípios básicos para fazer uma boa fotografia: a técnica e a expressão.

3.      Fiquei demais preocupado em não fazer figura de parvo na feira e não me concentrei naquilo que realmente queria fazer: boas imagens fotográficas.

Mesmo não tendo alcançado bons resultados nos registros de hoje, tomei ao menos umas boas lições e espero emendar os meus defeitos em outras incursões. Agora estou mais atento à geometria da composição, à luz, aos contrastes, aos pormenores e ao uso dos espaços como parte da mensagem daquilo que pretendo dizer com a imagem. Não sendo lá grande coisa, os registros de hoje tiveram ao menos o mérito de me ter permitido, superar alguns temores e ainda me ter feito descobrir alguns novos elementos possíveis na composição. Vá lá que, nem tudo foi assim, tão ruim.

Foto: Rogério Soares. Feira de Caetité, 2016.

A política nacional

O TRIUNFO DOS PORCOS.
As eleições existem para coroar o triunfo dos porcos. Penso que essa impressão apenhei lendo Orwell ou foi em 36 anos de vida... Já não sei mais o que é literatura e o que é realidade. Sei apenas que a afirmação procede.

À FLOR DA PELE
Penso que já vivi o suficiente para não mais escandalizar-me com a política. Mas a política é implacável e produz todos os dias bons motivos para nos deixar com os nervos à flor da pele.

FAUNA POLÍTICA
São tantos os nomes de animais que qualificam o eleitorado que ao fim e ao cabo das eleições têm-se a impressão de que chamar um eleitor de besta não se configura uma ofensa e sim um elogio.

FÁBULA

A corrida por um lugar nos gabinetes governamentais já começou. Daqui a pouco os mais civilizados entre os nossos deixará de pensar como gente e assumirá o seu posto de besta.

A vida em círculo

Ao ler a Odisseia,

uma obra que conta

milênios de existência,

têm-se a impressão de que

a vida sempre foi o que é:

uma sucessão de desencontros,

paixões mal resolvidas,

malogros, angustias

e lutas encarniçadas,

movida pela ambição

mais desmedida...


Rogério Soares


Grandes fotógrafos Brasileiros

Foto: Araquém Alcântara.
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A fotografia brasileira é inteiramente dominada por um nome: Sebastião Salgado. Os trabalhos desse mineiro são obras primas da fotografia. Ninguém parece capaz de lhe fazer frente, tamanho empenho ele dedica às suas produções. Diz-se que ele faz fotografia como um pintor compõe um quadro: preocupado com a harmonia e o equilíbrio das formas. 

É ainda importante a atenção dada por ele a textura dos motivos. Saltam aos olhos dos seus admiradores os microcontrastes que surgem das imagens que ele captura. Não se perde nenhum detalhe da imagem que Sebastião faz. Isso se deve a escolha acertada do preto-e-branco na composição das suas imagens. O PB torna mais perceptíveis os tons, os contrastes e os pormenores da imagem tornam-se evidentes. 

Por tudo isto, não falta também quem afirme, que ele alcançou uma qualidade em seus registros que só encontra precedente em outros nomes maiúsculos da fotografia: Cartier-Bresson, W. Eugene Smith... Nenhum de seus trabalhos parecem menos que perfeitos. Creio não estar exagerando. 

A excelente reputação que construiu, tornou Sebastião Salgado um nome incontornável. Mas o que é a glória para uns, pode bem ser o tormento para outros. Por seu gigantismo, Sebastião Salgado, acabou por fazer sombra a muitos outros bons fotógrafos nacionais, que não têm, como ele, a devida atenção do público, nem gozam do prestígio merecido pelos méritos incontestes que demonstram. 

Porém, ao olharmos com atenção mais detida, talvez vislumbremos outros nomes, que se não chegam a impressionar como Salgado, ao menos têm o mérito de nos prender demoradamente a atenção. E em tempos fugazes, onde o mote da vida é a aceleração do tempo, não pode existir qualidade maior no trabalho de um fotógrafo, do que este de deter o olhar do expectador, e o capturar em horas mais alargadas de atenção sobre o objeto apreciado. 

Um desses nomes é o do fotógrafo Araquém Alcântara. Com mais de quatro décadas de trabalho ele faz valer as horas que se gastam em apreciar tudo o que ele faz em termos fotográficos. No site que mantêm na internet podemos vislumbrar um pouco dos seus inúmeros trabalhos. O que se evidência ali, além das qualidades fotográficas evidentes, são as ocorrências de alguns temas. 

Um dos seus prediletos, parece ser: as paisagens naturais do Brasil. Isso talvez se deva ao fato dele combater obstinadamente as agressões que põem em risco a exuberante natureza nacional. A fotografia para Araquém confunde-se com o ativismo ambiental. Ele não esconde que é um fotógrafo, como ele mesmo gosta de dizer, “engajado”. 

Além das paisagens ele insere em suas incursões os motivos humanos. Quando ele se volta para estes, emergem pulsantes personagens. Todos eles são facilmente reconhecidos por nós brasileiros. Mas alguém que não os conhecessem, também os apreciariam. Pois são expressivos e dizem mais do que as circunstâncias geográficas sugerem. Os cenários em que figuram esses tipos, ressaltam as regiões que formam o país uma unidade na diversidade. 

Através das lentes de Araquém vislumbramos um Brasil que, longe dos grandes centros urbanos, vive e celebra a sua riqueza. São fotos de enorme qualidade e mestria técnica, que nos revelam um país, cheio de vida e de dinamismo, sobre o qual ninguém consegue ficar indiferente. Mesmo que se tenha uma sombra encobrindo a sua presença, a fotografia de Araquém se faz perceptível. 



Foto: Araquém Alcântara. 



Em vão

Hoje, queria estar a salvo do meu país
Mas ele me invade sem ao menos pedir licença.
Bate a minha porta com violência
e estende os braços para pegar-me.

Tende paciência, em vão, lhe peço.
Não quer sabe e se precipita
E me arremessa, para fora de minha morada.
Antes, arranca-me os livros e as roupas
Tomando-me todo o meu abrigo.

Assim, com pressa, atira-me à rua
Sem querer saber se estou
Com isso em desacordo.
Pudesse ouvir-me saberia ele
Que não era esse o país que desejava.


Rogério Soares

Sismógrafo

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Há no coração do homem uma falha de San Andrea que nenhum geógrafo explica.

Fotografar pessoas: os pequenos episódios da vida

Foto: Rogério Soares. Romeiros do Bom Jesus, 2015.
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Em fotografia, interessa-me pouco aqueles temas que não estejam relacionados a pessoas. Não tenho gosto pelas paisagens, apesar de admirar Ansel Adams. Enfada-me fotos do pôr-do-sol. São puros clichês. As flores do campo e os montanhas silentes, não me atraem tanto que façam deles temas de interesse. Também não encontro outra coisa a não ser tédio, nas fotos de arquitetura. Quem consegue passar horas percorrendo as formas de um prédio e de um interior de casa e ainda assim achar naquilo algum interesse maior do que o mero passatempo das horas mortas. Há bem mais coisas no olhar de um homem e nas formas de um corpo que em toda paisagem natural, ou nas figuras geométricas de uma forma arquitetônica. Sem gente os lugares ficam vazios e pouco ou quase nada dizem de relevante, que mereça um registro fotográfico sério. Os motivos humanos são bem mais atraentes. Por isso os dramas humanos em suas múltiplas facetas produzem melhores temas para a fotografia. Mas quem escolhe esse tema, deve estar atento ao fato de que, fotografar pessoas é, acima de tudo, uma atividade que requer muito bom senso. Sei bem dos riscos da natureza da abordagem desse tema. Estar-se sempre correndo o perigo de que as pessoas que você fotografe não gostem da ideia de ser flagrada em sua privacidade. Por certo, existem boas razões para as pessoas manterem a intimidade de suas vidas resguardada de olhares bisbilhoteiros. Por essa razão, sempre que vou fotografar alguém, ou mesmo depois de já ter feito a fotografia, (são sempre tentadores os temas inesperados) peço à pessoa que me autorize a fazer o registro ou que me licencie a foto, depois dela feita. Caso elas recusem - algumas vezes isso acontece - respeito as vontades e apago na frente da pessoa o registro indesejado. Em outras ocasiões as pessoas recebem bem a proposta e se mostram muito dispostas a serem fotografadas. Ocorreu isso ao fazer a foto desses simpáticos romeiros mineiros que estavam de visita ao Santuário do Bom Jesus. Eles me contaram que há décadas visitam a cidade e trazendo consigo, como acompanhante dessa jornada, as suas distintas senhoras. Na ocasião da foto eles já havia visitado o Santuário e entregue ao Bom Jesus as suas preces. Como fazem, em todas as visitas, depois de cumprirem os seus votos sagrados, eles partem para o primeiro bar que encontraram, para desafogar o desejo de provar outras riquezas da terra sagrada. Foi lá que eu os encontrei. Alegres e descontraídos eles me pareceram bem mais jovens do que as imagens da foto depois me sugeriram. O registro dessa foto me fez pensar que: Fotografar pessoas é extremamente gratificante e enriquecedor. Há uma vida e uma história por trás da foto. Há uma singularidade nela que mesmo imperfeita a torna valiosa.  Além do maior interesse em pessoas o que me atrai, neste tipo de fotografia, é o desafio que ela constitui: não é fácil, do ponto de vista técnico, obter o efeito necessário para que a imagem resulte bem. As fotos de pessoas, diferentes de paisagens inócuas, requerem do fotógrafo uma maior atenção àqueles que deseja registrar. Por todos esses motivos e muitos outros gosto de fotografar pessoas e pequenos episódios da vida. 

Uma aventura inesquecível

Hoje 2 de abril comemora-se o dia Internacional do Livro Infantil. Nas mãos dos pequenos o livro se torna o primeiro transporte de uma aventura que eles jamais esquecerão. Das leituras apanhadas na infância, os miúdos aprenderão as lições que podem desvendar os caminhos mais seguros na jornada pela vida. O bom livro literário oferece ao pequeno leitor a possibilidade de satisfazer a sua criatividade, fertilizar a sua imaginação e animar os impulsos de aventura que os fazem reconhecer o mundo como a morada de todos. A leitura aproxima a criança e o jovem à vivências e saberes que expandirão sua visão de mundo para além dos horizontes domésticos. A leitura abre com isso horizontes possíveis e instiga visões alternativas das realidades dadas. Ela faz com que as crianças interroguem, questionem, comparem, avaliem... Ler ainda é divertido. São nas horas com o livro que partilhamos os melhores momentos de nossas vidas. Felicitações a todos os profissionais do livro que fazem as alegrias de crianças de todas as idades.

Declaração de princípios.

Desculpem-me os partidos, as seitas, os lóbis, os templos, os ideólogos, os deuses, os mitos (inclusive os de pés de barros e de poucos dedos) mas declaro-me, absolutamente indisponível aos seus apelos. Antes de vocês eu já havia sido seduzido pelas artes, senhora absoluta de minhas vontades.


Contar histórias

Perguntam-me sempre o que me parece ser uma boa fotografia. Digo que não sei o que os outros pensam, mas para mim uma boa fotografia é aquela que conta por si mesmo uma boa história, independentemente das circunstâncias de tempo e de lugar.

Foto: Robert Doisneau: Les Hélicoptères, 1972.


Quando a fotografia não acontece, isso me deixa mal.

Foto: Rogério Soares. Cavalhada na Agrovila 07, Serra do Ramalho - 2015.
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Desde que comprei uma câmera passei a ver dezenas de oportunidades fotográficas à minha volta. Há sempre bons motivos fotográficos espreitando-nos por aí. Dia desses, por exemplo, enquanto aguardava o carro para o trabalho, vi um senhor encostado a uma árvore, aí o imaginei em mil ângulos. De pronto me veio à mente: Por que não ando com a minha máquina a tiracolo? Estava ali uma boa fotografia que não aconteceu. Isso deixou-me mal. Penso que o mesmo se passa com os poetas, os romancistas, ou qualquer um que vive da arte mimética. Os dados da realidade sugerem sempre outras possíveis realidades, que se escondem atrás das aparências, e são tão ou mais interessantes do que a realidade imediatamente percebida. Quando essas realidades se descortinam a nossa frente e não estamos com uma máquina à mão temos mesmo bons motivos para nos recriminarmos por isso.   

Perspectiva

À Lucélia Pardim 
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Se de asas me vê,
Enxergas-me pela metade.
Olhasse em direto,
Verias, que as sombras
Me acompanham.

São sem conta o número de novos extremistas

Bosch. A Parábola dos Cegos (1568): Essa tela é uma alusão ao Evangelho de Mateus 15:14 "Deixai-os: são condutores cegos: ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova."
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Quando surgiram no face levantes contra os discursos de saudação ao retorno da ditadura, achei exagerado. Não quis acreditar que existisse alguém capaz de cogitar a hipótese, de ter no governo, homens de coldre na cintura. Achei que eram poucos e insignificantes as vozes que se alevantavam pedindo o injustificável. E por isso era dispensável perder tempo com eles.  Estava errado. Não eram exagerados os levantes e nem poucos os extremistas. Há sim, mais e mais, quem simpatize com os imoderados e ande de mãos dadas com os imorais que fingem inocência histórica. Por todos os lados, as bestas ganham adeptos e seguidores, e uma legião de cegos, levados por embusteiros, seguem prazenteiros rumo ao abismo. 

A Nêspera

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria in Novos Contos do Gin

Versão dita por Mário Viegas aqui

THE BOOKLOVERS



Dia a dia admiro mais e mais os portugueses. Motivos não faltam para isso. Um deles é que lá eles acarinham os seus escritores. Dão-lhes atenção, promovem os seus talentos e fazem festa com a sua existência. A prova provada dessa realidade pode ser vista no mais novo projeto do escritor, músico e fotógrafo Fernando Dinis. The Booklovers, é um saite que registar informalmente escritores portugueses. Através de belas fotografias e um despretensiosos perfil biográfico ficamos sabendo que os autores que mais admiramos têm olhos tão penetrantes quanto as palavras que fustigaram o nosso corpo, quando estivemos a ler os seus livros.


P.S. Há pelos menos um nome que aguardo ansiosamente por sua chegada a essas paragens. Ele é um blogueiro avesso a cerimonias, talvez por isso custe a aparecer, mas me traria muito contentamento em saber que também ele esteve ao lado de tantos bons nomes. 

Vazio


O secretário do Alckmin que admira idealismo do Isis.

É somente em momentos de grave crise moral, ética e política, como a que vivemos agora, que o desarrazoamento, ganha respeitabilidade e sentimentos antes reprimidos encontram voz e profetas.  Tempos nebulosos nos esperam no futuro. Quem será capaz de nos livrar dessas ciladas? Apeguem-se aos botes e corram à popa que esse barco desgovernado, está em rota de colisão.  

Embotar os sonhos

Foto: Ferdinando Scianna – Capri, 1984.

Penso, que ainda vive em mim, uma vontade ridícula de ganhar o mundo com uma mochila nas costas. Quem me conhece, também pensaria o mesmo que eu, se soubesse o que vive em mim de sonhos. Ridículos sonhos. Querer bater o pó da estrada, tendo como veículo, os próprios pés, e como bússola, na ausência de um melhor guia, o pau da venta, são coisas que não me cabem mais. Tivesse hoje os meus velhos dezessete anos. Andasse só no mundo, e talvez essa ideia não fosse, assim como parece hoje: ridícula. Mas já se passaram os anos. Os dezessete, tenho-os hoje em dobro. Assim como também não ando mais só. A vida vai embotando os nossos melhores sonhos e se encarregando de tornar, o que parecia outrora lindo, um tormento sem fim, por se saber impossível.

Desertificar

Já nem bem completei três décadas de vida e percebo, com desagradável surpresa que, ando a despedir-me, inesperada e involuntariamente, daqueles que, ainda ontem, emolduraram comigo uma foto para o futuro. Sinto que a vida vai aos poucos se desertificando. 

Literatura clássica e suas relações com a cultura popular: Ceci e Peri - Trio de Ouro (Carnaval de 1937)


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Fala-se amiúde em excluir os clássicos das escolas. Os defensores dessa ideia dizem serem as obras inacessíveis aos jovens. Os clássicos seriam datados e diriam pouco às massas de adolescentes oriundas das camadas pobres. Melhor proveito tirariam eles em ler as obras mais “acessíveis” (entenda-se os best sellers). O curioso é que, só na cabeça dos defensores, da exclusão dos clássicos das escolas, ocorre pensar que eles são inacessíveis as camadas populares. Desde sempre a literatura dita, canônica, esteve intimamente ligada as raízes populares em parcerias insuspeitas. Veja-se a propósito o caso do livro O Guarani. Anos depois de Carlos Gomes estrear a sua versão musical da obra de José de Alencar no Teatro Scala de Milão, as histórias de Peri e Ceci ressurgiriam em uma bela intertextualidade do clássico com o popular no carnaval de 1937. Quem encarregou-se da tarefa foi o compositor Príncipe Pretinho e teve como interpretes o Trio de Ouro: Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas. A marchinha foi gravada no primeiro disco do trio. O Guarani também inspirou vários sambas-enredos de sucesso, que desfilaram pelo carnaval através da interpretação popular. A Império Serrano levou para avenida em 1954 o enredo: O Guarani, baseado na obra de J. de Alencar e inspirada na música de Carlos Gomes; em 1971 foi a vez da Unidos de Bangu desfilar na avenida com o enredo: O Guarani, de José de Alencar; em 1990 quem encantou o público, recontando no carnaval a saga do amor de Ceci e Peri, foi a União de Vaz Lobo (Guaraná, Guarani). Esses são alguns dos exemplos da relação de proximidade entre o clássico e o popular. Tivemos outros sambas-enredos, inspirados na obra do Cearense José de Alencar. Não só José de Alencar e sua obra magistral mereceram honraria iguais, outras grandes obras da nossa literatura também foram acarinhada pelo popular em marchinhas, sambas e outras manifestações que denunciam a sua inquestionável relação de proximidade. Agora pergunto? Como pode ser tão inacessível, uma obra que esteve sempre ligada as fontes de inspiração popular? Seriam hoje os nossos jovens tão atabalhoados que não se dariam conta daquilo que foi tão evidente em outros tempos, por quem teve bem menos acesso a informação do que eles? 

O riso na fotografia de Elliot Erwitt

Já referi aqui sobre como nada escapa ao interesse da fotografia. Todos os temas lhes são caros. Vemos por aí fotografia de rua, fotojornalismo, fotografia de moda, de natureza, paisagens, viagens, etc... Mas há um tema em particular que, quase nunca vemos, ao menos com a recorrência dos demais. Refiro-me a fotografia de cunho humorístico. Falta humor nas fotografias de nosso tempo.

Não creio que isso ocorra porque os fotógrafos o entenda como uma expressão menor. Esta é uma interpretação dos tolos e dos tirano. Os tolos pela estultícia de suas mentes e os tiranos pelos temores de que suas ambições encontre questionadores, que ousem desmentir as certezas que lhes asseguram as posições.

Acho mais provável a alternativa que advoga a ideia de que fazer humor em fotografia é difícil. E por essa razão, os interessados em abordarem o tema, desistam da ideia quando mal aventaram a possibilidade. Fazer humor bobo, patético ou grosseiro tem sido o mais próximo que muitos conseguem chegar do tema. Esse tipo de humor qualquer um é capaz de fazer. Mas um humor que profane o solene, desbote o verniz, que maquila as aparências e infrinja as certezas postiças que, envolvem a nossa sociedade, esse humor é tarefa para destemidos, que não se deixam vencer pelas ideias vazias que vai pelas cabeças dos patetas.   

Humor pateta é fácil. Humor com substância interrogativa e desvendadora da natureza humana são outros quinhentos. Mas há pelo menos um nome na fotografia que tomou para si a tarefa de encarar o tema com o talento e perspicácia que lhe é devida. Foi o francês Elliot Erwitt (Elio Romano Ervitz é o seu nome de batismo). Erwitt nasceu em Paris em 1928. Foi criado na Itália, mas a partir de 1941 adotou os EUA como pátria. Fez isso quando teve que fugir com a família, da tirania nazista que encobria a Europa e ameaçava o mundo com ideias tenebrosas de hegemonia racial.   

Nos EUA Elliot Erwitt construiu uma carreira respeitada e se tornou um dos poucos fotógrafos dedicados ao riso. Sua lente em décadas de atividade esteve apontada para os flagrantes de momentos irônicos e indiscretos que revelam detalhes risíveis do nosso comportamento quando não estamos ocupados demais em fingir decoro. Veja-se a propósito disso a seleção de algumas de suas melhores fotografias sobre o tema abaixo:  

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Versailles, 1975.
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Espanha, Madrid, 1995. Museu do Prado.
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East Hampton, Nova York, EUA, 1983.
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Central Park, Nova York, 1990.

Brandos costumes

Foto:   Ernst Haas


Ligo a tevê e ouço aos berros alguém dizer: “nós vamos descer o pau”. É o presidente de um sindicato, ameaçando um prefeito e os usuários de um serviço de transporte, do qual ele é contra. Mudo de canal. Dou com a notícia de que o filho de um ex-presidente, sugere em uma rede social que “o país vai pegar fogo” se o seu pai, que é hoje alvo de investigações sobre suposto favorecimento em negócios com empreiteiras, que estão sobre acusação de desvios de recursos públicos, continuar sendo investigado. Não suporto o que vejo e corro a outro canal. Aí encontro, possesso, um apresentador, falar estridentemente aos seus espectadores que, “bandido bom é bandido morto”. Fala isso, enquanto uma enquete, em baixo do vídeo, mostra os números de espectadores que concordam com ele subindo sem parar, na frente dos que esmorecem desencorajados pela pergunta, se são contra ou a favor das ideias tresloucadas do jornalista falastrão. Desisto da tevê. Vou à escola e encontro amigos professores que também não se constrangem mais em afirmar coisas, que há tempos achava superado pela posição que eles ocupam. Muitos pedem a expulsão de alguns alunos e dizem com todas as letras que alguns “não têm jeito” ou que estão ressentidos por não “poderem dar às crianças aquilo que os pais não deram: peia”. Ouço, leio e vejo todas essas barbáries e dou graças a deus que ainda bem que o poder dessas pessoas não está à altura de suas vontades, porque de outra sorte, o mundo seria um lugar dantesco, com gente a bater com paus em seus desafetos, queimar pessoas em desacordos com suas opiniões e castrar crianças por serem crianças e darem trabalho como as crianças costumam dar.  

As novidades literárias não param de chegar às livrarias

Todos os dia alguma novidade literária desembarca nas livraria, inflacionando ainda mais as boas opções de leitura disponíveis aos leitores. No entanto, não falta quem invente desculpas para não ler. Estou cansado de ouvir de alguns que, não lê porque “não tem opções cativantes”, “faltam novidades”, “é tudo sempre igual”, “desconhece os novos autores”.  Em que mundo andam as pessoas? Para onde olham quando querem mesmo buscar uma boa leitura? Penso que para o lugar errado. Voltasse os olhos para fora das tevês e das revistas do jet set, por alguns instantes, veriam um mundo novo em que as novidades superam o luxo dos cenários, das roupas e dos penteados dos artistas que tanto os mesmerizam. As novidades literárias, não param de chegar às livrarias, só os leitores não deram por isso. 

A fotografia e seus múltiplos temas

Foto: Imogen Cunningham

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Parece não haver um tema, que não tenha sido visto com interesse, pela fotografia. Ao estudar os trabalhos dos grandes fotógrafos nos deparamos com a seguinte constatação: durante o percurso de formação, eles vão apurando o estilo e perseguindo um tema, que os entusiasmam mais do que os outros, e assim formam o seu caráter fotográfico. Não é raro, porém, encontrar fotógrafos que nutrem mais interesses e alarguem seus temas a horizontes mais dilatados. Estes não concentram o seu foco de interesse em um único objeto. Inquietos que são estendem suas lentes a múltiplos pontos. Fazem isso muitas vezes movidos pelo germe da curiosidade de saberem como seria alterar códigos inexoráveis. Veja-se a propósito, o caso da americana Imogen Cunningham (1883-1976). Ela iniciou o seu percurso fotográfico fazendo estudos químicos sobre os processos de revelação. Era uma expert nessa área. Os estudos foram financiados com fotografias de plantas, para o departamento de botânica da Universidade de Washington em Seattle. Desse impulso inicial, movido pela necessidade, ela refinou o seu estilo, tomando um novo interesse nos estudos das texturas, das formas e das variedades de flores, especialmente a magnólia. A fotografia botânica que surgiu daí acabou por aliar a curiosidade científica com a expressão criativa de uma verdadeira artista. Após as flores, vieram os interesses no corpo humano. Em 1915 ela casou com o artista Roi Partridge, juntos eles exploraram os terrenos da natureza e do corpo humano. São famosas as suas imagens de Roi Partridge. Logo, não tardou que seu novo objeto de interesse passasse a ser alvo de estúpidos. A censura, imposta pela opinião pública da época, a fizeram engavetar os negativos de uma série de nus no deserto que realizou com um modelo contratado para exposição de sua lente. Depois desse trabalho, ela focou as suas fotografias nas mãos de grandes músicos e artistas. Esse último tema a levou à revista Vanity Fair. Como vemos os temas que apaixonam um fotógrafo podem ser múltiplos. Imogen Cunningham passou para história da fotografia com seus deslumbrantes close-up de flores. Mas junto a esse requinte, não lhe faltou sensibilidade, para encarrar as formas humanas em poses e gestos que a sensibilidade tacanha de alguns patuscos não foi capaz de suportar. Ela continuou a fotografar e a ensinar a sua nobre arte, até pouco antes de sua morte aos 93 anos em 24 de junho de 1976 em San Francisco.

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 Foto: Judy Dater (1974). O flagrante é de uma aula de Imogen Cunningham sobre nu artístico. Essa foto foi o primeiro nu frontal a ser publicado na revista Life.

Das trincheiras

O facebook tem me provado que, para ser-se intolerante e estar enfurecido com os outros, não é necessário habitar zonas de conflitos e assentar-se em trincheiras diferentes. Basta antes, encontrar alguém que, em desacordo com as cores que você escolheu, para ilustrar o seu perfil, teime em lhe dizer quais as melhores para colorir. Não entramos em acordo nem para permitir a liberdade de escolha de cores pessoais, como vamos fazer um mundo diferente?

De asno então...

Foto: Cristina Garcia Rodero, s/d.
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"Antes asno que me carregue que cavalo que me derrube"  Gil Vicente