Mostrando postagens com marcador Capitalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Capitalismo. Mostrar todas as postagens

A salvação pelo consumo.

A sedução dos discursos consumistas enfeitiça de tal modo a vida, que as pessoas que não se enquadram no “esquema” da felicidade materialista, são vistas como antissociais, fracassadas e pintadas com qualificativos pouco nobres. Hoje em dia é quase um pecado mortal, a recusa aos apelos mercadológicos propagandeados pelos médias. O herético que professe o credo na descrença da salvação pelo consumo, vive as mesmas penitências dos pobres lançados à fogueira por rejeitarem a mentira como verdade. Não se admite, sob qualquer argumento ou peso dos fatos, a possibilidade de se viver de maneira tal, que nenhuma dessas coisas: carro, celular, roupa de grife e outros banlangandas, tenha qualquer valor de dignificação do homem, como querem fazer crer os incautos adoradores dos produtos da moda. 

O capitalismo não poupa ninguém

.

Já não vai longe, pois nem tanto tempo se passou assim, em que todas as nações Ocidentais sonharam um dia em ser como a Grécia. Em tudo se invejava o país de Sócrates, Platão e Aristóteles. Da arquitetura monumental, passando pelas artes até chegar aos ideais de beleza. Os gregos construíram um ponto de viragem na civilização, que de tão vigoroso, pavimentou, os caminhos que abriram um novo mundo. Ninguém lhes ousava ultrapassa os feitos. Sabia-se de antemão a tarefa inglória que seria essa empresa. Às nações mais prosperaras comprazia-se com a imitação, deixando bem evidente, é claro, as fontes onde buscaram inspiração para tudo o que iam construindo a sua volta.  Não se temia o decalque. Nesse caso ele era, não só tolerado, como ainda representava um sinal de status. Poder imitar a Grécia era uma glória. Quem reproduzisse os modelos gregos de civilidade já eram bastante civilizados. Hoje, no entanto, a Grécia vive outra situação, bem menos invejável. Afundada numa crise financeira que parece não ter fim, todas as nações evitam comparações temendo o contágio das más notícias que projetam para os próximos anos um panorama trágico para nação que inventou a “tragédia”. O que os bárbaros não foram capazes de destruir em anos de tentativas frustradas contra a Grécia o Capitalismo não poupou. 

Para não esquecer


.


Alguém aí ainda é capaz de julgar, que não vai nada de errado no mundo?

Pobre Europa

.(revoltas populares na Grécia)

Na eminência de um colapso na economia da zona do euro, os lideres políticos, até aqui, não conseguiram encontrar alternativa à crise, que não tenha que passar pela socialização dos prejuízos cometidos pelos banqueiros e burocratas de plantão. Mais uma vez a população terá que apertar o seu já asfixiante orçamento para resgatar a máquina econômica do fundo do poço. As medidas de austeridades para Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e em breve Itália, punem quem não tem nada haver com a delinquência financeira que graça no mundo capitalista. As propostas de austeridade pesam, exclusivamente, sobre os ombros dos trabalhadores e da população em geral. Entre as medidas, apontadas pelo FMI como única solução para crise, estão: aumentos dos impostos, cortes nas despesas do Estado, demissões em massa, aumento da jornada de trabalho e privatizações. Medidas ainda mais estranguladoras foram ventiladas. Um duríssimo golpe naqueles que têm que lidar diariamente com as incertezas da vida e um golpe fatal naqueles que ainda nem começaram a lidar com elas. Em meio a todo esse arrocho não se ouve noticias de que haverá diminuição do número de parlamentares, redução dos salários dos políticos, fim dos privilégios aos dirigentes, punição aos desastrados e gananciosos agentes financeiros que manipulam a economia a seu bel-prazer e segundo os interesses das corporações financeiras, que deram inicio a tudo isso. Os privilegiados continuam intocáveis, a massa, chafurdando na lama. Dessa maneira, as propostas de austeridade não são equilibradas na distribuição dos sacrifícios para salvar a economia do maior bloco político do mundo; nem qualquer outro país que esteja em risco.  A mim essas medidas, da forma que estão sendo conduzidas, parecem mais uma extorsão. Em não sendo a população produtora, os culpados desses maus feitos, que assolam as economias europeias, não tem razão os governantes de mandarem a conta pra eles pagarem. Quem deve pagar pelo delito, são os agentes financeiros, os especuladores, os mercados exploradores e toda essa récua, que dirige sem nenhuma habilitação os interesses do povo. Como tudo que está ruim, pode piorar, fala-se em reformas ainda mais profundas e vampirescas, como se a população trabalhadora já não estivesse sendo severamente molestada em seus direitos. Alguns políticos, aproveitando a ocasião em que estão sendo discutidas (discutida é uma palavra estranha nesse contexto, o que estamos vendo na verdade é um massacre contra os direitos democráticos) medidas para contornar a crise, já pensam em incluírem no pacote de estupro aos trabalhadores, propostas que mexem com o tempo de contribuição para aposentadoria. Uh! Espertos, não? Com as privações a que estão sendo submetidos, os jovens europeus não precisarão se preocupar com a aposentadoria, e sim em sobreviverem a essa tormenta financeira.

Hora da virada




.
Multiplicam-se pelo mundo os sinais de que uma virada está por vir. Será? As recentes insurgências no mundo árabe despertaram também as jovens consciências ocidentais contra os seus tiranos? Os gritos de liberdade empoeirados, ecoaram tão alto e tão longe, ao ponto de aterrissarem às Puerta del Sol em Madri, passando pelo coração da máquina econômica mundial e daí para outros inesperados lugares? A julgar pela disposição dos jovens ocupantes das praças e ruas pelo mundo, não resta dúvida que essa virada não tarda. As manifestações que eclodem contra o sistema, provam que as alternativas políticas e econômicas até aqui ofertadas, não serviram para alterar em nada a rota da exclusão e opressão que por séculos escravizam alguns homens em beneficio de outros.

Memória ameaçada

Vista aérea de Caetité
.
A cidade se modifica numa velocidade incrível. Em quase 10 anos morando em Caetité eu não pude deixar de perceber a furiosa transformação urbana dos últimos tempos. Por todos os lados, crescem arranha-céus. Novos bairros e centros comerciais assentam onde antes havia pequenas moradias familiares ou mesmo um descampado. Não bastasse somente alargar-se até onde as vistas não alcançam os imóveis mais bem situados também são alvo da cobiça e da especulação. De olho em espaços sempre novos a sanha imobiliária põe abaixo todos os inconvenientes e se sobrepõe a memória, a história e ao registro de tempos de antanho. Com espaços cada vez mais disputados e valorizados, os velhos casarões, relíquias de outras épocas, sofrem com a cobiça desenfreada por espaços privilegiados na cidade. Com a desculpa de que são dispendiosos e inúteis, economicamente, pouco a pouco eles têm vindo abaixo, seja pelo abandono dos proprietários ou pelo descaso das autoridades públicas que fazem vistas grossas ao desmonte do patrimônio. “Não adianta reclamar contra a transformação grosseira e desnecessária da fisionomia da cidade – da nossa cidade -, os poderes são surdos pensando que são sábios”, escreveu Carlos Drummond de Andrade a propósito das insistentes intervenções urbanísticas no Rio de Janeiro que desapareceram com incontáveis igrejas na década de 40. “Para que passasse a grandiosa Avenida Presidente Vargas, primeiro derrubaram a igreja da Imaculada Conceição e a de São Domingos... depois, pouco adiante, outras duas velhas igrejas desapareceram, vítimas dum vandalismo que poderia ser evitado: a de São Pedro Apóstolo, redondinha, com paredes largas de dois metros, argamassadas a óleo de baleia, e a do Bom Jesus do Calvário, duas vezes secular e que muito aparece nas Memórias de um sargento de milícias.” Não consta que Drummond fosse nenhum crente, mas isso nunca foi empecilho à sua sensibilidade. Nesses tempos de ares tão poluídos valeria a pena subordinar o avanço do cimento à preservação da memória? Alguns destemidos resistem aos constantes e insistentes assédios dos novos empreendimentos, sem abdicar das transformações impostas pelo tempo. “Venham as torres residenciais ou hoteleiras e que sejam belas e altas e coloridas, levantadas com os mais sensacionais e variados materiais que a indústria inventa no seu incansável evoluir. Mas que não lembrem, nem de longe, aquela outra tão citada, a de Babel – para que possamos, continuar a falar a mesma linguagem de entendimento e solidariedade que é o melhor alicerce para a edificação de uma vida comunitária ideal.”

Carros, Governo, Impostos e outras mutretas que fazem desse país uma vergonha


.
Aprendi que o princípio básico do capitalismo de mercado é a não interferência do Estado nas ações da economia. O agente regulador do mercado nas disputas, segundo a óptica liberal, deve ser, do próprio mercado. Ao estado compete, segundo Milton Friedman, ideólogo do Neoliberalismo, uma atuação limitada: “Sua principal função (a do Estado) deve ser a de proteger nossa liberdade contra os inimigos externos e contra nossos próprios compatriotas; preservar a lei e a ordem; reforçar os tratos privados” noutro trecho do seu famoso livro Capitalismo e Liberdade, Friedman atribui outra função ao Estado: “promover mercados competitivos” estimulando a concorrência e a livre iniciativa. Como vemos, a participação do Estado na vida econômica, segundo o modelo Liberal, limita-se a umas poucas ações, nenhuma delas ligadas a regulação, fiscalização ou manutenção da economia. Qualquer outro papel do Estado causaria o que os “imperdenidos homens de ideias” chamariam de desordem econômica. 

Na teoria a prática é outra. As recentes medidas que o governo brasileiro adotou para, supostamente, proteger o mercado nacional contra a especulação internacional, taxando em até 30% os produtos importados, beneficiaram diretamente as montadoras de automóveis que fabricam no país e penalizaram as empresas que importam os carros. Em nota, o ministro da economia se apressou em negar que, o reajuste tenha sido feito para impedir o crescimento das novas marcas, como desejam as montadoras nacionais. Difícil acreditar nessa história. O que está por trás disso tudo são interesses econômicos e não a defesa do trabalhador brasileiro como querem nos fazer acreditar o governo e as empresas. 

As intervenções rechaçadas pelo Neoliberalismo são sempre bem vindas para salvar empresas ameaçadas pelo livre comércio. Era agora que as ideias de Estado mínimo preconizadas pelos ideólogos; economia competitiva, livre comércio, concorrência, deveriam vir à tona. Porém, o que vemos? Mais uma vez o Estado intervindo a favor das empresas com a desculpa esfarrapada de estar, assim,“protegendo” o Brasil e o comércio nacional... balela. 

Com a entrada da concorrência chinesa no mercado de automóveis, as montadoras, que há anos monopolizam o setor, viram o mais promissor mercado consumidor de automóveis do mundo, mais uma vez ser alvo de outras raposas, e saíram logo à procura do Estado para refazer o jogo e começar tudo de novo, dessa vez com novas regras. A livre concorrência responsável, segundo os pensadores do Liberalismo, por equilibrar os preços e permitir ao consumidor uma opção viável, está sendo solenemente ignorada, sob a desculpa da ameaça do desemprego. 

Segundo matéria do jornalista Joel Leite (aqui), o carro fabricado no Brasil por essas montadoras que o governo mima, é o mais caro do mundo. Os produtos são os mesmos, mas os preços praticados não. Vejam esses exemplos: O Corolla fabricado em três países, possuem diferenças de preços consideráveis. No Brasil o carro custa, segundo informações do jornalista, US$ 37.636,00, na Argentina US$ 21.658,00 e nos EUA US$ 15.450,00. Outro exemplo de causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse carro custa R$ 65,7 mil. Joel aponta ainda outros exemplos. O Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui, custa R$ 46 mil. 

Se o Estado realmente estivesse preocupado com o brasileiro, em vez de penalizar a concorrência, desestimulando como está fazendo, deveria cobrar das montadoras nacionais preços justos e competitivos, que pudessem fazer frente aos produtos chineses e não interferir na competição pelo mercado que empurraria os preços para baixo. Ao acionar essas medidas o governo salva, não os empregos e a indústria nacional, mas o lucro exorbitante das montadoras que não se acanham em venderem o mesmo produto em países diferentes com margem de lucro inexplicável.  

Esse governo tem vários méritos, nenhum deles, porém, está associado às ações econômicas.

A VERDADEIRA FACE DA CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL


O furacão que vem varrendo as bolsas em todo o mundo desmoronou não só, a fragilidade do sistema capitalista, sobre a qual estão assentadas as maiores economias do mundo, como também, a moral dos banqueiros de Wall Street. Se bem que eles não prezem tanto assim pela moralidade. Tudo isso, no entanto, serviu para tornar evidente, o que alguns tomavam apenas por aparente (quanta ingenuidade). Que no mundo dos números e das finanças internacionais o paraíso financeiro pode ser uma mera miragem, produzida por alguma agência de risco, ou por balanços maquiados. E quem vai pagar a conta? Os governos do mundo capitalista já anunciaram a alternativa. Para socorrer os caloteiros das grandes financeiras e salvar bancos em dividas, os governos vão socializar o capital podre. É sempre assim, na hora de dividir os lucros ninguém aparece. Já para socializar as dívidas, qualquer alternativa ideológica menos ortodoxa é muito bem vinda. Pra piorar a situação e jogar mais descrédito no sistema que promete salvar a humanidade, os jornais anunciaram que a maioria dos líderes das empresas que entraram ou estão em vias de entrar em colapso financeiro nos Estados Unidos receberam bônus significativos pelos objetivos cumpridos em 2007. O primeiro lugar no pódio das compensações coube a John Thain, CEO da Marril Lynch, que no ano passado arrecadou 10,6 milhões de euros em prêmios de desempenho. Não nos enganemos sobre o que andamos a ver. Trata-se de um verdadeiro estupro anunciado por todas as mídias.