A sedução dos discursos
consumistas enfeitiça de tal modo a vida, que as pessoas que não se enquadram
no “esquema” da felicidade materialista, são vistas como antissociais,
fracassadas e pintadas com qualificativos pouco nobres. Hoje em dia é quase um pecado
mortal, a recusa aos apelos mercadológicos propagandeados pelos médias. O herético que professe o credo na
descrença da salvação pelo consumo, vive as mesmas penitências dos pobres
lançados à fogueira por rejeitarem a mentira como verdade. Não se
admite, sob qualquer argumento ou peso dos fatos, a possibilidade de se viver de
maneira tal, que nenhuma dessas coisas: carro, celular, roupa de grife e outros
banlangandas, tenha qualquer valor de dignificação do homem, como querem fazer
crer os incautos adoradores dos produtos da moda.
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O capitalismo não poupa ninguém
.
Pobre Europa
.(revoltas populares na Grécia)
Na eminência de um
colapso na economia da zona do euro, os lideres políticos, até aqui, não
conseguiram encontrar alternativa à crise, que não tenha que passar pela
socialização dos prejuízos cometidos pelos banqueiros e burocratas de plantão. Mais
uma vez a população terá que apertar o seu já asfixiante orçamento para
resgatar a máquina econômica do fundo do poço. As medidas de austeridades para
Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e em breve Itália, punem quem não tem nada
haver com a delinquência financeira que graça no mundo capitalista. As
propostas de austeridade pesam, exclusivamente, sobre os ombros dos trabalhadores
e da população em geral. Entre as medidas, apontadas pelo FMI como única
solução para crise, estão: aumentos dos impostos, cortes nas despesas do
Estado, demissões em massa, aumento da jornada de trabalho e privatizações.
Medidas ainda mais estranguladoras foram ventiladas. Um duríssimo golpe
naqueles que têm que lidar diariamente com as incertezas da vida e um golpe
fatal naqueles que ainda nem começaram a lidar com elas. Em meio a todo esse
arrocho não se ouve noticias de que haverá diminuição do número de
parlamentares, redução dos salários dos políticos, fim dos privilégios aos
dirigentes, punição aos desastrados e gananciosos agentes financeiros que
manipulam a economia a seu bel-prazer e segundo os interesses das corporações
financeiras, que deram inicio a tudo isso. Os privilegiados continuam
intocáveis, a massa, chafurdando na lama. Dessa maneira, as propostas de austeridade
não são equilibradas na distribuição dos sacrifícios para salvar a economia do
maior bloco político do mundo; nem qualquer outro país que esteja em risco. A mim essas medidas, da forma que estão sendo
conduzidas, parecem mais uma extorsão. Em não sendo a população produtora, os
culpados desses maus feitos, que assolam as economias europeias, não tem razão
os governantes de mandarem a conta pra eles pagarem. Quem deve pagar pelo
delito, são os agentes financeiros, os especuladores, os mercados exploradores
e toda essa récua, que dirige sem nenhuma habilitação os interesses do povo. Como
tudo que está ruim, pode piorar, fala-se em reformas ainda mais profundas e vampirescas,
como se a população trabalhadora já não estivesse sendo severamente molestada
em seus direitos. Alguns políticos, aproveitando a ocasião em que estão sendo
discutidas (discutida é uma palavra estranha nesse contexto, o que estamos
vendo na verdade é um massacre contra os direitos democráticos) medidas para
contornar a crise, já pensam em incluírem no pacote de estupro aos trabalhadores, propostas que mexem com o tempo de contribuição
para aposentadoria. Uh! Espertos, não? Com as privações a que estão sendo
submetidos, os jovens europeus não precisarão se preocupar com a aposentadoria,
e sim em sobreviverem a essa tormenta financeira.
Hora da virada
.
Multiplicam-se pelo
mundo os sinais de que uma virada está por vir. Será? As recentes insurgências
no mundo árabe despertaram também as jovens consciências ocidentais contra os
seus tiranos? Os gritos de liberdade empoeirados, ecoaram tão alto e tão longe,
ao ponto de aterrissarem às Puerta del Sol em Madri, passando pelo coração da
máquina econômica mundial e daí para outros inesperados lugares? A julgar pela
disposição dos jovens ocupantes das praças e ruas pelo mundo, não resta dúvida
que essa virada não tarda. As manifestações que eclodem contra o sistema,
provam que as alternativas políticas e econômicas até aqui ofertadas, não
serviram para alterar em nada a rota da exclusão e opressão que por séculos
escravizam alguns homens em beneficio de outros.
Memória ameaçada
Vista aérea de Caetité
.
A cidade se modifica
numa velocidade incrível. Em quase 10 anos morando em Caetité eu não pude
deixar de perceber a furiosa transformação urbana dos últimos tempos. Por todos
os lados, crescem arranha-céus. Novos bairros e centros comerciais assentam
onde antes havia pequenas moradias familiares ou mesmo um descampado. Não
bastasse somente alargar-se até onde as vistas não alcançam os imóveis mais bem
situados também são alvo da cobiça e da especulação. De olho em espaços sempre
novos a sanha imobiliária põe abaixo todos os inconvenientes e se sobrepõe a
memória, a história e ao registro de tempos de antanho. Com espaços cada vez mais disputados e valorizados, os velhos
casarões, relíquias de outras épocas, sofrem com a cobiça desenfreada por
espaços privilegiados na cidade. Com a desculpa de que são dispendiosos e
inúteis, economicamente, pouco a pouco eles têm vindo abaixo, seja pelo
abandono dos proprietários ou pelo descaso das autoridades públicas que fazem
vistas grossas ao desmonte do patrimônio. “Não
adianta reclamar contra a transformação grosseira e desnecessária da fisionomia
da cidade – da nossa cidade -, os poderes são surdos pensando que são sábios”,
escreveu Carlos Drummond de Andrade a propósito das insistentes intervenções
urbanísticas no Rio de Janeiro que desapareceram com incontáveis igrejas na
década de 40. “Para que passasse a
grandiosa Avenida Presidente Vargas, primeiro derrubaram a igreja da Imaculada
Conceição e a de São Domingos... depois, pouco adiante, outras duas velhas
igrejas desapareceram, vítimas dum vandalismo que poderia ser evitado: a de São
Pedro Apóstolo, redondinha, com paredes largas de dois metros, argamassadas a
óleo de baleia, e a do Bom Jesus do Calvário, duas vezes secular e que muito
aparece nas Memórias de um sargento de milícias.” Não consta que Drummond
fosse nenhum crente, mas isso nunca foi empecilho à sua sensibilidade. Nesses
tempos de ares tão poluídos valeria a pena subordinar o avanço do cimento à
preservação da memória? Alguns destemidos resistem aos constantes e insistentes
assédios dos novos empreendimentos, sem abdicar das transformações impostas
pelo tempo. “Venham as torres
residenciais ou hoteleiras e que sejam belas e altas e coloridas, levantadas
com os mais sensacionais e variados materiais que a indústria inventa no seu
incansável evoluir. Mas que não lembrem, nem de longe, aquela outra tão citada,
a de Babel – para que possamos, continuar a falar a mesma linguagem de
entendimento e solidariedade que é o melhor alicerce para a edificação de uma
vida comunitária ideal.”
Carros, Governo, Impostos e outras mutretas que fazem desse país uma vergonha
.
Aprendi que o princípio
básico do capitalismo de mercado é a não interferência do Estado nas ações da
economia. O agente regulador do mercado nas disputas, segundo a óptica liberal,
deve ser, do próprio mercado. Ao estado compete, segundo Milton Friedman, ideólogo
do Neoliberalismo, uma atuação limitada: “Sua
principal função (a do Estado) deve ser a de proteger nossa liberdade contra os
inimigos externos e contra nossos próprios compatriotas; preservar a lei e a
ordem; reforçar os tratos privados” noutro trecho do seu famoso livro
Capitalismo e Liberdade, Friedman atribui outra função ao Estado: “promover mercados competitivos”
estimulando a concorrência e a livre iniciativa. Como vemos, a participação do
Estado na vida econômica, segundo o modelo Liberal, limita-se a umas poucas
ações, nenhuma delas ligadas a regulação, fiscalização ou manutenção da
economia. Qualquer outro papel do Estado causaria o que os “imperdenidos homens
de ideias” chamariam de desordem econômica.
Na teoria a prática é
outra. As recentes medidas que o governo brasileiro adotou para, supostamente,
proteger o mercado nacional contra a especulação internacional, taxando em até
30% os produtos importados, beneficiaram diretamente as montadoras de
automóveis que fabricam no país e penalizaram as empresas que importam os
carros. Em nota, o ministro da economia se apressou em negar que, o reajuste
tenha sido feito para impedir o crescimento das novas marcas, como desejam as
montadoras nacionais. Difícil acreditar nessa história. O que está por trás
disso tudo são interesses econômicos e não a defesa do trabalhador brasileiro
como querem nos fazer acreditar o governo e as empresas.
As intervenções
rechaçadas pelo Neoliberalismo são sempre bem vindas para salvar empresas
ameaçadas pelo livre comércio. Era agora que as ideias de Estado mínimo
preconizadas pelos ideólogos; economia competitiva, livre comércio,
concorrência, deveriam vir à tona. Porém, o que vemos? Mais uma vez o Estado
intervindo a favor das empresas com a desculpa esfarrapada de estar, assim,“protegendo”
o Brasil e o comércio nacional... balela.
Com a entrada da
concorrência chinesa no mercado de automóveis, as montadoras, que há anos
monopolizam o setor, viram o mais promissor mercado consumidor de automóveis do
mundo, mais uma vez ser alvo de outras raposas, e saíram logo à procura do
Estado para refazer o jogo e começar tudo de novo, dessa vez com novas regras. A
livre concorrência responsável, segundo os pensadores do Liberalismo, por
equilibrar os preços e permitir ao consumidor uma opção viável, está sendo
solenemente ignorada, sob a desculpa da ameaça do desemprego.
Segundo matéria do
jornalista Joel Leite (aqui), o carro fabricado no Brasil por essas montadoras
que o governo mima, é o mais caro do mundo. Os produtos são os mesmos, mas os
preços praticados não. Vejam esses exemplos: O Corolla fabricado em três
países, possuem diferenças de preços consideráveis. No Brasil o carro custa, segundo informações do jornalista, US$
37.636,00, na Argentina US$ 21.658,00 e nos EUA US$ 15.450,00. Outro exemplo de
causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse
carro custa R$ 65,7 mil. Joel aponta ainda outros exemplos. O Gol I-Motion com
airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui, custa
R$ 46 mil.
Se o Estado realmente estivesse
preocupado com o brasileiro, em vez de penalizar a concorrência, desestimulando
como está fazendo, deveria cobrar das montadoras nacionais preços justos e
competitivos, que pudessem fazer frente aos produtos chineses e não interferir
na competição pelo mercado que empurraria os preços para baixo. Ao acionar
essas medidas o governo salva, não os empregos e a indústria nacional, mas o
lucro exorbitante das montadoras que não se acanham em venderem o mesmo produto
em países diferentes com margem de lucro inexplicável.
Esse governo tem vários
méritos, nenhum deles, porém, está associado às ações econômicas.
A VERDADEIRA FACE DA CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL

O furacão que vem varrendo as bolsas em todo o mundo desmoronou não só, a fragilidade do sistema capitalista, sobre a qual estão assentadas as maiores economias do mundo, como também, a moral dos banqueiros de Wall Street. Se bem que eles não prezem tanto assim pela moralidade. Tudo isso, no entanto, serviu para tornar evidente, o que alguns tomavam apenas por aparente (quanta ingenuidade). Que no mundo dos números e das finanças internacionais o paraíso financeiro pode ser uma mera miragem, produzida por alguma agência de risco, ou por balanços maquiados. E quem vai pagar a conta? Os governos do mundo capitalista já anunciaram a alternativa. Para socorrer os caloteiros das grandes financeiras e salvar bancos em dividas, os governos vão socializar o capital podre. É sempre assim, na hora de dividir os lucros ninguém aparece. Já para socializar as dívidas, qualquer alternativa ideológica menos ortodoxa é muito bem vinda. Pra piorar a situação e jogar mais descrédito no sistema que promete salvar a humanidade, os jornais anunciaram que a maioria dos líderes das empresas que entraram ou estão em vias de entrar em colapso financeiro nos Estados Unidos receberam bônus significativos pelos objetivos cumpridos em 2007. O primeiro lugar no pódio das compensações coube a John Thain, CEO da Marril Lynch, que no ano passado arrecadou 10,6 milhões de euros em prêmios de desempenho. Não nos enganemos sobre o que andamos a ver. Trata-se de um verdadeiro estupro anunciado por todas as mídias.
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