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Sem trégua. O país está em ebulição. Para os dias a fervura só aumentará.

Li nas redes sociais a seguinte nota do escritor Fernando Morais:

"Anos atrás recebi do então governador de Brasília Cristovam Buarque o "premio manuel bonfim", atribuído ao meu livro "Chatô, o rei do Brasil". Já pedi à Marília para localizar a placa de prata. Vou devolver. de golpista não quero nada. Nem prêmio".
Minha resposta ao Fernando Morais:

"Fernando Morais mostra como para o PT não há diferença entre partido, governo e estado. Não fui eu que dei o prêmio, foi o Governo do DF, selecionado pelo mérito de seu maravilhoso livro. Mas ele acha que foi uma bolsa-escritor. Porque, para ele, não há diferença entre partido-governante-governo-estado.


Que pena que nossos gênios estejam tão obtusos. E tão viciados no aparelhamento. O PT corrompeu mais do que a política, corrompeu a inteligência e o caráter. E aos poucos vão mostrando que a volta da Dilma por mais dois anos, com essa gente, vai embrutecer o País e seguir se apropriando do Estado. Pior que não tem juiz Moro para este tipo de roubo: da inteligência e do caráter. Ele não falou em devolver os dez mil que recebeu do prêmio. Na época eram dez mil dólares. Nem o que ele fazia no governo do Quercia".

Maquilar a realidade

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Steve McCurry é sem sombra de dúvida o mais reputado dos fotojornalistas da atualidade. Com mais de 40 anos de serviços prestado à arte de fotografar, ele se notabilizou para o mundo, cobrindo guerras e registrando com sensibilidade incomum, os dramas de homens e mulheres em zonas de conflito. Porém, hoje, ele se vê às voltas com uma discussão que põem em questão o seu oficio artístico e sua propalada sensibilidade. É que algumas de suas fotos publicadas em seu sítio na internet e mais algumas outras encontrados por jornalistas, sugerem que ele manipula as suas imagens. Alguns poderiam dizer: “que bobagem, o que há de errado em manipular as fotos?” Nada. Não há nada de errado em fazer mudanças nas fotos. Afinal de contas a imagem é dele. O problema é que McCurry sempre negou que usasse recursos para tornar as suas imagens mais expressivas. E para piorar a história, descobriu-se também que não são feitas apenas ajustes de contrastes de cores e tons, mas que são alterados elementos significativos das fotos sugerindo ambientes, situações e paisagens destituídas de veracidade. Fico aqui a pensar: o que há de verdadeiro no mundo? 

Os artistas e as touradas


O que há em comum entre Goya, Picasso, Hemingway e João Cabral? À primeira vista nada.  Porém, um detalhe chama a atenção na vida e na obra de cada um desses homens. Ambos pintaram ou escreveram, em algum momento, sobre as touradas e os toureiros. As cenas de virilidade e coragem que vinham das arenas despertaram grande fascínio entre estes mestres, e de alguma forma definiram seus temas artísticos.



Seduzido pelas disputas entre homens e animais dizem que Goya, chegou a tourear na juventude, fato que talvez explique o encanto desse pintor por esse espetáculo ao qual dedicou uma série de gravuras e pinturas que sugerem, com grande comedimento de recursos, as tensões ocorridas nas Plaza de Toros



Picasso, assim como Goya, foi outro reconhecido amante da tauromaquia.  Seus feitos artísticos revelam a paixão por esse esporte tão violento, e ao mesmo tempo, tão fascinante. Como Goya, ele dedicou muitos de seus trabalhos ao registro de homens que com destemor incomum enfrentaram seus medos nas arenas de touros munidos apenas de capa e lança.  




Símbolo da cultura Ibérica, as touradas também inspiraram paixões nos ilustres estrangeiros que viveram na Espanha. Ernest Hemingway que viveu por lá por muitos anos, enquanto cobria a guerra civil, acabou se enamorando pelas touradas. Em alguns de seus livros como, Por quem os sinos dobram e O Sol também se levanta, ele se rendeu aos duelos sangrentos e bestiais do embate entre homens e animais. Mas foi em O Verão Perigoso obra não ficcional, que narra uma viagem do autor pela Europa na companhia de dois grandes toureiros: Antônio Ordoñez e Luis Miguel Dominguín, que vamos encontrar um Hemingway apaixonado pelos duelos das arenas.




João Cabral de Melo Neto foi outro destacado admirador das disputas taurinas. Vários de seus poemas enaltecem a figura dos valentes toureiros, como Manolete “o de nervo de madeira”. 

Espetáculo controverso, as touradas inspiram hoje duelos em outras arenas. Despida de sua mística poética, que a via como metáfora da existência humana na luta renhida contra os maiores obstáculos ou como queria João Cabral como, “a vitória da inteligência contra a força bruta”;  a alegoria taurina, se dissolveu sob o discurso de que a luta contra os touros não passa de um exercício de crueldade, em que uma massa irracional volta todo o seu ódio contra as bestas ferozes de chifres ameaçadores, pelo simples capricho de infringir ao outro dor e sofrimento atroz. 



Dentro e fora da Espanha as touradas são alvo dos ativistas dos animais. Talvez por isso, hoje em dia elas sejam vistas com reservas pela comunidade artística. A exceção talvez seja o peruano Mario Vargas Llosa, atual ganhador do Nobel de Literatura, que ao contrário de seus pares literários da atualidade, ainda continua a ver nas touradas um espetáculo poético com raízes nas profundas tradições da cultura ibérica. 



 No livro, A vida dos Animais, o escritor sul-africano J.M.Coetzee, também nobelizado,   ver nas touradas, exaltadas pelos artistas:  um indício [de uma estirpe de poetas que celebram o primitivo]. Mate-se a besta, sem dúvida, dizem eles, mas transforme-se isso num concurso, num ritual e honre-se o adversário pela sua força e bravura. Coma-se, também, após se ter vencido, por forma a que a sua força e coragem entrem em quem a dominou. Olhe-se nos olhos antes de a matar, e agradeça-se-lhe depois. Cante-se sobre ela. Pode chamar-se a isto primitivismo. É uma atitude fácil de criticar, de ridicularizar. É profundamente masculina, machista. Deve desconfiar-se das suas ramificações políticas. Mas, no fim de contas, há nisto algo atraente do ponto de vista ético”.  

O tema é polêmico e muito difícil. O que vocês acham... dêem sua opinião, são a favor ou contra as touradas.  

A cultura é sempre um peso que poucos estão dispostos a carregar

Resposta ao meu amigo Teo a respeito do caso Maria Bethânia
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Estou de acordo, meu caro amigo Teo, que o artista precisa receber o que merece. Por isso mais uma vez reafirmo minha posição em favor do projeto de Maria Bethânia e apoio a iniciativa que a meu ver pretende divulgar, incentivar e promover a literatura, num país em que nem todos têm acesso a esse bem.

Meu posicionamento contrário a maioria daqueles que criticam o projeto, decorre do fato de que nada é feito em prol da cultura desse país e pior, quando se estar em questão qualquer Projeto que viabilize uma mudança de curso nesse estado de inércia, e esse projeto envolva a literatura, a primeira preocupação - e muitas vezes única - não é estudar a proposta, sua importância cultural, muito menos sua relevância social. Daí minha discordância com aqueles que criticam esse projeto. Eles reduzem, creio, a discussão aos valores envolvidos na realização do blog. Não posso pensar de forma tão estreita.

A grande preocupação, como você pôde ver Teo, em muitos textos que criticam o projeto, resumi-se ao seu alto custo. O resto é o de menos. Tanto é assim, que ninguém teve a curiosidade, antes de tecer as mais grosseiras críticas, de ler projeto. Alguém ai o conhece, já leu, ou ao menos se preocupou em saber do que se trata de verdade?

Negar por negar é fácil, agora quem teve a curiosidade de se perguntar quanto custa a criação e manutenção de um site? Quais projetos estão envolvidos, além daqueles alardeados pela crítica? Qual a duração do projeto? Quantas pessoas estarão envolvidas na realização e produção do blog? Quanto de direitos autorais o projeto terá de pagar aos poetas, as editoras ou as famílias que detenham os direitos das inúmeras obras que serão usadas? Sim, porque diferentes do que possam imaginar muitos, os artistas precisam ser pagos pelos direitos de uso de seu trabalho. Essa última questão é de extrema relevância e mais uma vez vem a propósito a sua fala, “o artista precisa receber o que merece”. Nada mais justo então que receba!

Contestam-se os valores. Desprezam-se os meios para realização do projeto. Como se soluções para reverter o atraso cultural pudesse cair do céu ou fosse revolvidos com uma canetada como fez o governo Lula que diante do desafio de construir uma escola realmente eficiente para todos, e tentar assim resolver os problemas da desigualdade social, além da divida histórica com as comunidades negras desse país, acovardou-se e saiu pela tangente. Sem investir um único centavo na melhoria das escolas básicas o governo criou a ilusão de que tudo poderia ser resolvido com uma canetada. Assim nasceu as cotas que ignorando as carências básicas oriundas do sucateamento das escolas, obrigou as universidades a destinarem vagas àqueles que por razões mais do que apuradas por todos, não conseguiam, nas disputas caninas por uma vaga nas universidades, um lugar nas cadeiras universitárias. No entanto, o mesmo governo não poupou recursos na pretensão de comprar novos caças para substituir a velha frota do Exército Brasileiro.

Esse fato Teo dar a medida da importância que nosso governo atribui à educação. Por extensão, penso, que ele também ilustra muito bem como pensa a maioria de nossa gente, quanto está em jogo a melhoria da nossa cultura... ela é sempre cara.

Segundo pude apurar o projeto é de Hermano Vianna que convidou Maria Bethânia a se incorporar a ele pelo apelo que sua voz tem, junto ao público. No site de Bethânia ele justifica os custos da seguinte maneira: “Está no projeto: O áudio dos vídeos ficará disponível para ser baixado. O blog convidará músicos e DJs a produzirem conteúdo a partir desse material. Os melhores remixes (com vídeos e sons originais) serão publicados em seções específicas do blog. Videoartistas e animadores poderão ser convidados para transformar o poema do dia em base para novas obras. Uma ou duas vezes por mês, atores e outras pessoas poderão ser chamados para recitar alguns poemas. Também queremos criar novas ferramentas para as pessoas enviarem os vídeos umas para as outras, através de celulares. Cheguei a pesquisar a possibilidade de torpedos avisando para assinantes o momento da publicação de vídeos de seus poetas preferidos, mas mesmo só isso logo revelou custos proibitivos de transmissão de dados. Estamos ainda quebrando a cabeça para saber como resolver essas questões técnicas.” Por essas razões não me parecem serem injustificáveis os valores, até aqui usados como justificativas para desqualificar o projeto. Não podemos ignorar que um projeto como esse tem custos.

Não posso deixar de duvidar que um sentimento arraigado de desprezo pela literatura seja ai um componente a mais da rejeição do projeto. Inconscientemente, muitos ainda têm a literatura como um acessório dispensável. As razões dessas ideias? A sociologia ou a história da nossa formação explicariam melhores do que eu.



DISCUTÍVEL POLÊMICA

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A edição de julho da revista Playboy Portuguesa, nem bem saiu e já se tornou o centro de acalentadas discussões, que giram em torno da liberdade de expressão e o respeito à fé alheia; equação de difícil equilíbrio no mundo moderno, quase sempre regido por valores movediços.


O motivo da celeuma se deve ao tema da revista desse mês, que traz na capa um Jesus Cristo sentando numa cama amparando nos braços uma mulher, que como é próprio dessas revistas, aparece seminua. Na cabeceira da cama lê-se o título do livro do escritor português José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

O alegado motivo da capa, segundo o editor da revista, foi prestar uma “última homenagem” ao escritor morto no último mês de junho em razão de complicações em sua frágil saúde.

Mas se a imagem da capa mexeu com os brios de muita gente, as que surgem no interior da revista esquentam ainda mais a polêmica. Nelas podemos ver, entre outras fotos, Jesus observando duas lésbicas trocando carícias.

A homenagem ao escritor não agradou muita gente, nem mesmo a empresa mãe que anunciou, assim que soube da publicação, seu desacordo com o tema da revista.

Alegando não ter tido conhecimento prévio da polêmica imagem, a vice-presidente da Playboy Entertainmente, Theresa Hennessy disse que se trata de "uma violação chocante das normas" e que "devido a esta e a outras questões com os editores portugueses, estamos prestes a rescindir o acordo". Por essas palavras entende-se que a matriz da revista não concorda com o tema e ameaça com rescisão a edição portuguesa da revista, que atua em Portugal a pouco mais de um ano e meio; a primeira edição saiu em março do ano passado.

Esta lançada à polêmica, com ela semeia-se a discórdia e por fim um produto francamente sofrível como são as revistas que exploram a nudez feminina, dão um salto momentâneo, naquilo que mais lhes interessam, as vendas.

As razões da polêmica são discutíveis. Para muitos elas não passam de uma armação, entre a revista portuguesa e a sede americana que ameaçando fechar a sucursal, incendeia a discussão para impor a repercussão do caso, e assim, promover a revista, que segundo informa a imprensa portuguesa vive momentos de grande dificuldade.

Decididamente José Saramago merecia melhor homenagem. Uma por exemplo, que não tivessem que relacionar o seu desentendimento com os dogmas da Igreja, com fins comerciais de uma revista masculina.