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O teórico, jornalista, crítico, cronista, poeta e professor Affonso Romano de Sant´anna resolveu a muito tempo encarar o seu oficio (ou melhor, ofícios) de forma insolente. Ele prefere a vida com riscos. E se tornou um risco, e todos nós sabemos bem disso, recusar a indiferença como modo de vida. À cordialidade do senso comum ele interpôs a autonomia de um espírito crítico e fecundo. Sua crença, fundado na ideia de que a cultura liberta o homem da ignorância, tem raízes em autores como Paul Valery, que como Romano de Sant´anna acredita que “o leão é a soma dos cordeiros assimilados”. Em seu mais novo livro de poesia, Sísifo desce a montanha, lançado essa semana na Livraria Cultura em São Paulo, pincei um dos poemas que refletem o caráter desse homem-poeta.
Erguer a cabeça acima do rebanho
é um risco
que alguns insolentes correm.
Mais fácil e costumeiro
seria olhar para as gramíneas
como a habitudinária manada.
Mas alguns erguem a cabeça
olham em torno
e percebem de onde vem o lobo.
O rebanho depende de um olhar
