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Economês

Ontem os jornais anunciaram que a taxa de juros selic caiu 0,25 pontos percentuais. No mesmo dia, os membros do maior cartel do mundo (que também atende pelo nome de OPEP) foi à imprensa anunciar a redução da produção de petróleo, com o intuito de ajudar as economias dependentes da exportação desse produto, aumentarem as suas receitas. Não entendo economês, mas jurava que todos esses anúncios na imprensa, pelo ar de contentamento dos apresentadores, sugeriam que a engrenagem da economia estava sendo, finalmente, azeitada com óleo e não com arreia. Desejoso de comprar um livro saltei do sofá e corri à internet. Se a economia vai bem os livros devem estar uma baba. Ledo engano. O entusiasmo dos economistas não se refletiu no ânimo das lojas virtuais. Imagina que um livro que namoro há dias saia da loja na semana passada por 9,90 mangos. Ontem o mesmo livro estava por 35,94 mirréis. Hoje o livro só sai da loja pela assustadora quantia de 44,93 dinheiros. Não adianta a taxa de juros caírem, os carteis acenarem com boas notícias, ninguém está acreditando mais nos gurus de Wall Street. O resultado disso tudo é que a estante lá de casa vive reclamando orfandade dos livros.


Insolvência

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O intelectual de esquerda, David Harvey autor do livro a Condição Pós-Moderna afirma em seu mais recente trabalho que uma alternativa viável à crise financeira que assola os países europeus é, dar o calote nos bancos que arruinaram as finanças dos estados e ameaça agora a sobrevivência de milhares de trabalhadores na Espanha, Portugal, Itália e principalmente na Grécia. No seu livro O ENIGMA DO CAPITAL, que sai no Brasil pela Boitempo ele diz que não é justo que o trabalhador arque com todos os ônus de uma política financeira desastrosa e desumana. Caberia, segundo o geógrafo, ao capital especulativo e aos bancos, que geraram todo esse imbróglio, assumir o rombo. O que tem haver o trabalhador com esse problema? Por que os governos europeus insistem em congelar os salários, aumentar os impostos, demitir servidores, aumentar o período de contribuição para previdência entre outras medidas para salvar o capital financeiro? Essas e outras questões são discutidas nesse trabalho.

Carros, Governo, Impostos e outras mutretas que fazem desse país uma vergonha


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Aprendi que o princípio básico do capitalismo de mercado é a não interferência do Estado nas ações da economia. O agente regulador do mercado nas disputas, segundo a óptica liberal, deve ser, do próprio mercado. Ao estado compete, segundo Milton Friedman, ideólogo do Neoliberalismo, uma atuação limitada: “Sua principal função (a do Estado) deve ser a de proteger nossa liberdade contra os inimigos externos e contra nossos próprios compatriotas; preservar a lei e a ordem; reforçar os tratos privados” noutro trecho do seu famoso livro Capitalismo e Liberdade, Friedman atribui outra função ao Estado: “promover mercados competitivos” estimulando a concorrência e a livre iniciativa. Como vemos, a participação do Estado na vida econômica, segundo o modelo Liberal, limita-se a umas poucas ações, nenhuma delas ligadas a regulação, fiscalização ou manutenção da economia. Qualquer outro papel do Estado causaria o que os “imperdenidos homens de ideias” chamariam de desordem econômica. 

Na teoria a prática é outra. As recentes medidas que o governo brasileiro adotou para, supostamente, proteger o mercado nacional contra a especulação internacional, taxando em até 30% os produtos importados, beneficiaram diretamente as montadoras de automóveis que fabricam no país e penalizaram as empresas que importam os carros. Em nota, o ministro da economia se apressou em negar que, o reajuste tenha sido feito para impedir o crescimento das novas marcas, como desejam as montadoras nacionais. Difícil acreditar nessa história. O que está por trás disso tudo são interesses econômicos e não a defesa do trabalhador brasileiro como querem nos fazer acreditar o governo e as empresas. 

As intervenções rechaçadas pelo Neoliberalismo são sempre bem vindas para salvar empresas ameaçadas pelo livre comércio. Era agora que as ideias de Estado mínimo preconizadas pelos ideólogos; economia competitiva, livre comércio, concorrência, deveriam vir à tona. Porém, o que vemos? Mais uma vez o Estado intervindo a favor das empresas com a desculpa esfarrapada de estar, assim,“protegendo” o Brasil e o comércio nacional... balela. 

Com a entrada da concorrência chinesa no mercado de automóveis, as montadoras, que há anos monopolizam o setor, viram o mais promissor mercado consumidor de automóveis do mundo, mais uma vez ser alvo de outras raposas, e saíram logo à procura do Estado para refazer o jogo e começar tudo de novo, dessa vez com novas regras. A livre concorrência responsável, segundo os pensadores do Liberalismo, por equilibrar os preços e permitir ao consumidor uma opção viável, está sendo solenemente ignorada, sob a desculpa da ameaça do desemprego. 

Segundo matéria do jornalista Joel Leite (aqui), o carro fabricado no Brasil por essas montadoras que o governo mima, é o mais caro do mundo. Os produtos são os mesmos, mas os preços praticados não. Vejam esses exemplos: O Corolla fabricado em três países, possuem diferenças de preços consideráveis. No Brasil o carro custa, segundo informações do jornalista, US$ 37.636,00, na Argentina US$ 21.658,00 e nos EUA US$ 15.450,00. Outro exemplo de causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse carro custa R$ 65,7 mil. Joel aponta ainda outros exemplos. O Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui, custa R$ 46 mil. 

Se o Estado realmente estivesse preocupado com o brasileiro, em vez de penalizar a concorrência, desestimulando como está fazendo, deveria cobrar das montadoras nacionais preços justos e competitivos, que pudessem fazer frente aos produtos chineses e não interferir na competição pelo mercado que empurraria os preços para baixo. Ao acionar essas medidas o governo salva, não os empregos e a indústria nacional, mas o lucro exorbitante das montadoras que não se acanham em venderem o mesmo produto em países diferentes com margem de lucro inexplicável.  

Esse governo tem vários méritos, nenhum deles, porém, está associado às ações econômicas.