AS MODERNAS TEORIAS RACIAIS

(fonte: Jornal Daily News)
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Tempos atrás, assisti a uma palestra de um professor universitário, que falava de forma inflamada, sobre a evidente discriminação racial no filme Matrix. A obviedade do fato decorria, segundo o ilustre professor, da composição do elenco, que mais uma vez, segundo ele, seguia uma "hierarquia racial" que desprestigiava a figura dos negros. Enquanto Keanu Reeves (um legítimo representante da raça branca) ocupava o papel principal, a Laurence Fishburne restava o papel de Sancho Pança, o fiel escudeiro do herói que guiará as pessoas na guerra contra os computadores. Será mesmo que os irmãos Larry e Andy Wachowski são grandes racistas e que a escolha de Keanu Reeves para o papel principal definiria por extensão os lugares de brancos e negros na sociedade, eu me peguei questionando. Morfeu, personagem de Fishburne, sabe todos os segredos de Matrix, no entanto, ele não tem a força para destruir o sistema, tem que encontrar alguém que possa fazer isso por ele e por toda a raça humana, assegurava o professor. Baseado nessas ideias o professor argumentava que esse filme era uma grande metáfora da disputa racial que vivemos hoje. Apesar do argumento rasteiro o professor foi calorosamente aplaudido ao final de seu brilhante, genuíno e hipnotizante pensamento, que sinceramente achei um tanto forçado e muito simplista. Reduzir uma discussão tão profunda a razões tão estreitas dão a medida de como anda os ânimos e a disposição de muitos para debater com seriedade, equilíbrio e insenção a delicada e infindável questão em que muitos decidem racializar tudo o que veem pela frente. A prova mais evidente de que o professor se precipitou em seus argumentos, e de como o seu pensamento ao invés de servir de base para discussões serias, patina num lodaçal de preconceitos e juízo pré-moldados, eu tive essa semana quando o jornal americano Daily News, divulgou uma lista com nome de vinte e seis atores e atrizes que deixaram de embolsar muito dinheiro e alguns prêmios importantes como o Oscar, por recusarem protagonizar filmes que depois se tornaram fenômeno de crítica e público. Entre tantos nomes o que mais me chamou a atenção foi o de Will Smith que havia declinado do convite dos irmãos Wachowski para estrelar justamente o filme que o professor havia acusado de racista, por não ter como protagonista um negro. Baseado em seus próprios preconceitos o professor julgou ter achado o alvo perfeito para ilustrar o quanto são necessárias políticas de reparação racial, que tenham como meta evitarem distorções como essas, em que negros não são escolhidos para papéis no cinema, e possam equalizar os espaços entre brancos e negros nas telas. Na ânsia de racializar tudo o que ver pela frente os ativistas do Movimento Negro esquecem que nem todas as escolhas de protagonistas são baseadas em critérios raciais como ele julga, e sim, na livre iniciativa e na adequação do personagem ao perfil do ator. A continuar como estamos até Hamlet será severamente questionado como mais uma prova viva da segregação racial. A alegação é claro será que o ator princial era branco e não negro.
(A lista completa dos artístas e dos respectivos filmes que eles se recusaram a protagonizar estão no site do jornal, aqui).

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