JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)

foto tirada no FSM 2005



Soube a pouco da morte do mestre das letras portuguesa José Saramago. Imediatamente senti-me só, desamparado e extremamente entristecido, como só alguém que tivesse rompido abruptamente os laços com um ente muito amado, soubesse o que se passa.

E todos nós aprendemos amar Saramago, justamente, pelas qualidades e pela coragem de se indignar, furiosamente, contra toda e qualquer vilania, que oprime, insistentemente, os homens, destituindo-os de todas as forças vitais que o protegem.

Filho de pais e avós analfabetos, criadores de porcos, Saramago soube como poucos transformar a voz dos desfavorecidos em sua própria voz. Uma voz poderosa, respeitada, e temida pelos distintos senhores da política e da religião.

Um ente incomum, capaz das maiores e heróicas ações para defender, não só a si, alvo constante das chacotas dos insensíveis, mas também, e com igual empenho, toda e qualquer pessoa, das injustiças que grassam no mundo.

Saramago soube, desde cedo, que somente uma política civilizada, fraterna; seria capaz de rivalizar contra a tirânica força dos gananciosos, espoliadores e facínoras que insistem em tornarem o mundo um lugar cada vez mais perigoso para se viver, desse modo, engajou-se em todas as lutas por um mundo menos arbitrário, em que coubessem todos sem distinção, sem diferenças.

Seremos eternamente gratos a ele por seu exemplo, por nos dar esperança, por nos fazer acreditar, a revelia de todas as certezas, que ainda existe no homem uma força superior a de sua natureza menos nobre. Com ele aprendemos a valorizar o mundo, a enxergá-lo melhor, a lutar por justiça, a duvidar das certezas e fazer delas uma força revitalizadora em todos os momentos.

Fica agora um vazio, e a certeza de que o mundo passou, desde esse momento, em que ficamos privados de sua voz, assustadoramente inseguro, solitário e muito mais burro.

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