Repasto Político

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Todos devem ter percebido como os candidatos são tratados nessa época do ano em que concorrem às eleições. Salvo raríssimas exceções, a maioria das pessoas os chama de ÍDOLOS. Meu ídolo pra cá, meu ídolo pra lá. Em nenhuma outra época do ano os políticos gozam de tanta estima do povo quanto nas eleições. Agradar um candidato, mesmo um de índole duvidosa, pode render alguns préstimos no futuro. Há sempre, portanto, a possibilidade de alguma púrpura, do manto de homens tão nobres, recaírem sob aqueles que não se furtam a demonstrarem o seu entusiasmo. Se o seus respeitados candidatos progridem, logo eles também estarão em marcha. “Não há poder” escreveu Victor Hugo, “que não tenha a sua corte. Não existe fortuna que não seja lisonjeada”. Outros vão mais longe e não se cansam de incensar o que eles insistem em chamar de qualidades exemplares para governança. Eu cá tenho minhas dúvidas de homens tão capazes. Para mim o que as multidões chamam, aos berros, de qualidades inequívocas para governança, não passa de ser ingenuidade daqueles que creem facilmente nas enganosas e sediciosas manobras perpetradas pelos gênios da propaganda. Nenhum político hoje se priva desse acessório, que de tão eficaz tornou-se, nas últimas eleições, item obrigatório para ter êxito nas campanhas eleitorais. Pode-se sempre contar com os seus truques de prestidigitador para iludir a malta. Assim ficam todos confortáveis fingindo miopia aguda e repastando os bocados de sua sórdida estupidez.  



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