Pobre Europa

.(revoltas populares na Grécia)

Na eminência de um colapso na economia da zona do euro, os lideres políticos, até aqui, não conseguiram encontrar alternativa à crise, que não tenha que passar pela socialização dos prejuízos cometidos pelos banqueiros e burocratas de plantão. Mais uma vez a população terá que apertar o seu já asfixiante orçamento para resgatar a máquina econômica do fundo do poço. As medidas de austeridades para Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e em breve Itália, punem quem não tem nada haver com a delinquência financeira que graça no mundo capitalista. As propostas de austeridade pesam, exclusivamente, sobre os ombros dos trabalhadores e da população em geral. Entre as medidas, apontadas pelo FMI como única solução para crise, estão: aumentos dos impostos, cortes nas despesas do Estado, demissões em massa, aumento da jornada de trabalho e privatizações. Medidas ainda mais estranguladoras foram ventiladas. Um duríssimo golpe naqueles que têm que lidar diariamente com as incertezas da vida e um golpe fatal naqueles que ainda nem começaram a lidar com elas. Em meio a todo esse arrocho não se ouve noticias de que haverá diminuição do número de parlamentares, redução dos salários dos políticos, fim dos privilégios aos dirigentes, punição aos desastrados e gananciosos agentes financeiros que manipulam a economia a seu bel-prazer e segundo os interesses das corporações financeiras, que deram inicio a tudo isso. Os privilegiados continuam intocáveis, a massa, chafurdando na lama. Dessa maneira, as propostas de austeridade não são equilibradas na distribuição dos sacrifícios para salvar a economia do maior bloco político do mundo; nem qualquer outro país que esteja em risco.  A mim essas medidas, da forma que estão sendo conduzidas, parecem mais uma extorsão. Em não sendo a população produtora, os culpados desses maus feitos, que assolam as economias europeias, não tem razão os governantes de mandarem a conta pra eles pagarem. Quem deve pagar pelo delito, são os agentes financeiros, os especuladores, os mercados exploradores e toda essa récua, que dirige sem nenhuma habilitação os interesses do povo. Como tudo que está ruim, pode piorar, fala-se em reformas ainda mais profundas e vampirescas, como se a população trabalhadora já não estivesse sendo severamente molestada em seus direitos. Alguns políticos, aproveitando a ocasião em que estão sendo discutidas (discutida é uma palavra estranha nesse contexto, o que estamos vendo na verdade é um massacre contra os direitos democráticos) medidas para contornar a crise, já pensam em incluírem no pacote de estupro aos trabalhadores, propostas que mexem com o tempo de contribuição para aposentadoria. Uh! Espertos, não? Com as privações a que estão sendo submetidos, os jovens europeus não precisarão se preocupar com a aposentadoria, e sim em sobreviverem a essa tormenta financeira.

3 comentários:

Professor_Damião disse...

É a franco dorrocada do capitalismo finaceiro, especulativo e por que não dizer auto-destrutivo. Medidas drásticas de austeridade fiscal, implicará o óbvio, a população é quem pagará pelas "pataquádas" propositais dos agentes do Capitalismo Dominante, é assim em qualquer lugar do planeta!

Rogério Soares disse...

Damião,

Não tenho certeza de que esses são sinais de uma derrocada do capitalismo. Esse sistema tem por característica a plasticidade. Lembre-se que essa não é a primeira, e muito provavelmente não será o último abalo que o sistema já sentiu. Penso no que está acontecendo como uma mostra viva das contradições desse modelo de desenvolvimento baseado na exploração. Com as recentes fissuras podemos comprovar que em matéria de moralidade e justiça social esse sistema não se compromete. Não seria a hora de pensamos em um modelo econômico mais justo e equilibrado? Obrigado pela visita e até breve. Esteja à vontade para visitar o Navegantes sempre que quiser. Um abraço

Joana disse...

esta época é essencialmente de esperança. As pessoas já não têm medo de voltar a criticar o capitalismo sem parecerem saudosistas de um regime estalinista ou ditatorial. E isto é contagiante. Até em Groningen, cidade onde resido, terreola calvinista no norte da Holanda, já tem um pequeno movimento occupyGroningen.
http://www.occupygroningen.nl/