PAUL NEWMAN (1925-2008)

Cena do filme Rebeldia Indomável (1967)
Alguém pode alegar mais sedo ou mais tarde (sem razão), que esse blog só dar conta da passagem de astros do cinema, músicos famosos ou escritores afagados por algum prêmio, omitindo-se de tudo o mais. Corremos o risco realmente de nos tornarmos em pouco num caderno de obituários. Sem, porém, termos a menor intenção disso. Tudo dado à sanha com a qual o ceifeiro anda à solta. Mal temos tempo de nos recuperarmos da perda de alguém já nos vemos prostados, perplexos ante a retirada de outro. Dir-se-a então que o tempo não perdoa. Os sinos não descansam e que a vida exige seu óbolo. O último a acertar contas com o destino foi o ator americano Paul Newman. Vítima de cancro nos pulmões, Newman morreu no último dia 26 de setembro aos 83 anos. Irresistível presença masculina nas telas de cinema. Dono de uma beleza imaculada. Newman parecia moldado para o papel de bom moço. Quis, porém o destino que ele encarnasse com severidade os mais belos rebeldes do cinema. Sem, porém, nunca ter feito um vilão totalmente detestável. Jamais me esquecerei de um dos seus filmes mais empolgantes, Rebeldia Indomável (1967). “Dê para um ator um bom roteiro e ele moverá o mundo”, declarou quando foi perguntado sobre o filme. Queria eu encarniçar-me com tanta violência contra as coisas que me oprimem como Luke faz. Luke, personagem de Newman no filme, encarnava, ou melhor, se negava a encarnar o sentido de domesticação, vassalagem diante da opressão e da injustiça. Lições raras hoje em dia.

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