A TRISTEZA


O Flaubert aconselhava a ter cuidado com a tristeza. Cuidado com a tristeza, dizia ele, porque ela pode tornar-se um vício. Eu percebo bem o que ele queria dizer. João Cabral também alertava para os perigos de se tornar triste. E dizia que todos nós, inclusive ele, tinha tendência à sonolência à morbidez e à tristeza. Por isso, era preciso manter-se desperto. A poesia que ele criou, com uma sintaxe paradoxal foi sua forma encontrada para dispersar os vícios da tristeza, que de certa forma persegue todos nós. A tristeza serve para desculpar a inércia e, sobretudo a mediocridade. Obviamente esses senhores das letras tinham toda razão. Menos cuidadoso, no entanto, foi o autor do quadro que ilustra esse post. A gente começa arrancando uma orelha e quando menos esperamos estamos cambaleando pelo campo, varado pela morte.

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