O MEDO DO INFERNO

O líder da Igreja Católica em sermão aos fiéis no ano passado reafirmou sem meias palavras, que o inferno existe de verdade, não se trata de uma metáfora, mas de uma realidade concreta. Cioso de seu rebanho o papa Bento XVI lembrou a Bíblia, em sua incorruptível e invariável certeza, nas palavras de São Paulo e São Mateus. Em outra época, quando a Igreja guiava a ferro e açoite as vontades humanas, esse discurso ardia literalmente nos servos que por suas heresias e imprudência tinham seus atos corrigidos na fogueira, tal como no inferno que prega hoje o cardeal Ratzinger. Na teologia romana parece não haver outro sermão que não seja fruto do medo. “O medo, que esteriliza os abraços,(...)/ o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas.” O medo por toda parte, como em Congresso internacional do medo de Drummond. Tudo que a igreja católica tem para oferecer aos seus fieis, de ontem e hoje, não passam de conselhos apocalípticos e assombrações medievais. Menos brioso parece ser os discursos contra a própria igreja, que fecha os olhos e encobre os atos de pedófilos dos seus, ou nega-se a aceitar os apelos de muitos padres pelo fim do celibato. Se Deus existe, espero que Ele tenha uma boa desculpa para tudo isso.

Um comentário:

Ana Paula disse...

Meu caro Rogério. Não procure explicações divinas para os atos humanos. O homem tem uma arma poderosa que é o livre arbítrio. Faça o que tu queres, faça! Mas saiba que existe uma tal lei do retorno. Não é só aquela velha lei 'olho por olho, dente por dente'! É simplesmente ser responsável e consciente pelos seus atos. Igrejas foram erguidas pelos homens com propósitos nada dignos. Os métodos contraceptivos, o fim do celibato e tantas outras coisas condenadas pela igreja nada mais são que escolhas que o ser humano tem o direito. O homem é homem, tem desejos. Será que a fé é corrompida se os padres forem casados? E o livre arbítrio?
Eu acredito em Deus como algo maior que tudo isso. Maior que os templos cercados de objetos de ouro, de arte barroca, de luxúria. Tão maior que não há como definir, eu sinto...